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Sumiço de jornalista: EUA e Arábia Saudita são aliados, insiste príncipe Salman

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O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reuniu nesta terça-feira em Riade com o príncipe Mohammed bin Salman para falar sobre a questão do desaparecimento, há duas semanas, do jornalista Jamal Khashoggi. REUTERS/Leah Millis/Pool

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, se reuniu nesta terça-feira (16) com as autoridades sauditas para abordar a questão do desaparecimento, há duas semanas, do jornalista Jamal Khashoggi. Durante o encontro, o príncipe herdeiro Mohammed ben Salmane martelou a importância das relações entre Riade e Washington, apesar das tensões diplomáticas provocadas pelo caso.


Ao receber o representante da Casa Branca em Riade, o príncipe herdeiro declarou que os dois países são “aliados fortes e antigos”. “Enfrentamos nossos desafios juntos, seja no passado, hoje ou amanhã”, disse Mohammed ben Salmane aos jornalistas na chegada de Pompeo.

O secretário de Estado norte-americano foi enviado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a Riade para discutir com os líderes locais sobre as críticas internacionais após o desaparecimento do jornalista na Turquia, em 2 de outubro. O encontro acontece um dia depois de uma operação de busca das autoridades turcas no consulado saudita de Istambul, onde Khashoggi foi visto pela última vez. O jornalista, correspondente do jornal The Washington Post e crítico ao regime de Riade, vive exilado nos Estados Unidos desde 2017. Durante o encontro, Pompeo e o príncipe apareceram sorrindo, apagando a imagem de uma possível tensão entre Washington e Riade.

Saia justa entre Washington e Riade

Fontes do governo turco afirmam que o jornalista foi assassinado por agentes do reino, o que a Arábia Saudita nega com veemência. O desaparecimento Khashoggi é criticado pela comunidade internacional, e coloca Washington em uma situação delicada, já que os sauditas são aliados estratégicos dos norte-americanos contra o Irã, além de parceiros comerciais de peso. “Donald Trump já disse que não colocaria em questão os contratos com a Arábia Saudita, pois eles muito importantes para a economia dos Estados Unidos”, explica Stéphane Lacroix, professor da Sciences-Po em Paris pesquisador do CERI.

Para o especialista sobre monarquias do Golfo, “não se deve esperar nenhuma mudança radical” nas relações entre Riade e seus parceiros, mesmo se esse caso pode arranhar a imagem dos sauditas. “Se você quer atrair investimentos, é necessário ter uma boa imagem e, com esse caso, os parceiros estrangeiros começarão a desconfiar do príncipe Salman”, completa Lacroix, em alusão ao herdeiro de 33 anos, homem forte do maior exportador de petróleo do mundo.

A França considera a Arábia Saudita como uma aliada estratégica de um ponto de vista geopolítico, mas também como um mercado importante para suas exportações. Apesar dessa relação, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou na semana passada que via o desaparecimento do jornalista como um “fato muito grave” e pediu que “tudo seja feito para que a verdade sobre essa história seja revelada”. Paris também se uniu a Londres e Berlim em um comunicado conjunto, no qual pedia uma “investigação de credibilidade” sobre o caso.

O cônsul da Arábia Saudita em Istambul voou para Riade nesta terça-feira. Já o secretário de Estado americano Mike Pompeo viajará nesta quarta-feira à Turquia para prosseguir discutindo sobre o caso com as autoridades turcas.