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Jornalista saudita teria sido torturado por sete minutos, diz imprensa turca

Por RFI

Os veículos turcos divulgaram vários detalhes sobre o suposto assassinato do jornalista saudita, Jamal Khashoggi. As novas revelações, feitas nesta quinta-feira (18), trazem detalhes mórbidos sobre a morte do repórter. Erdogan chegou a afirmar que partes do consulado foram pintadas para esconder evidências.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

O jornal turco pró-governista Yeni Safak publicou o conteúdo de gravações feitas no interior do consulado da Arábia Saudita em Istambul. De acordo com a reportagem, Jamal foi torturado e decapitado por agentes sauditas. O veículo também afirma que o assassinato durou sete minutos e que o corpo teria sido desmembrado ainda vivo.

Além disso, é atribuída a seguinte frase ao cônsul-geral saudita Mohammed al-Otaibi: “Faça isso do lado de fora, você está me causando problema”. Segundo o texto, um dos torturadores respondeu: “Cale a boca se quiser estar vivo quando retornar à Arábia Saudita”. Ontem (17), foram feitas buscas na residência oficial do cônsul, mas Al-Otaibi já deixou a Turquia rumo à Arábia Saudita. No dia 2 de outubro, Jamal entrou no consulado em Istambul a fim de retirar documentação para o casamento com a noiva, que é turca, e nunca mais foi visto.

Apesar da investigação conjunta, Turquia e Arábia Saudita estão em lados opostos nesta história. A Turquia continua firme na insistência de que os sauditas mataram o dissidente. E os sauditas continuam negando qualquer ato contra Jamal, mas também não dão nenhuma versão plausível que mostre o contrário. O jornalista saudita vivia nos Estados Unidos desde 2017. Se a tentativa do governo americano era colocar sob controle esta tragédia internacional e minimizar os danos à monarquia de Riade, a visita do secretário de Estado para a região foi um fiasco.

EUA negam "benefício da dúvida"

Os Estados Unidos já foram criticados por amenizar a pressão sobre o regime saudita em relação ao sumiço do jornalista. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, negou que esteja dando o benefício da dúvida à Arábia Saudita ao aceitar as negativas do país de envolvimento no desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Pouco antes de deixar Ancara, Pompeo afirmou que o regime saudita pediu e que é razoável dar mais alguns dias para que seja concluída a investigação. Essas palavras foram ditas depois de ele se encontrar com o presidente turco Tayyip Erdogan e um dia depois de ter feito uma visita à Arábia Saudita, onde se encontrou com o príncipe-herdeiro, Mohammed bin Salman.

De acordo com o representante americano, Salman se comprometeu em punir quem quer que seja o responsável pelo crime. As autoridades turcas já dizem ter certeza de que o assassinato do jornalista partiu do regime saudita e que ocorreu realmente dentro do consulado de Istambul. Erdogan, chegou a afirmar que partes do consulado foram pintadas para esconder evidências.

EUA não querem irritar aliados sauditas

Os Estados Unidos agora até tentam se mostrar engajados, mas não escondem que, na balança de aliados, Arábia Saudita pesa mais por se tratar de um cliente bem relevante nas exportações militares e produção de petróleo. Donald Trump chegou a cobrar acesso a esse novo áudio relacionado ao desaparecimento do jornalista e a Turquia respondeu que enviou o conteúdo às autoridades americanas.

No país, especula-se até que a permissão de retorno do diplomata saudita ao seu país faça parte de uma estratégia maior da Turquia: chegar ao grande mandante deste crime usando um personagem menor. Com isso, usar esse o caso para fins políticos e econômicos a fim de pressionar os Estados Unidos a reverter algumas sanções contra a Turquia e fazer concessões na relação entre o governo de Ancara e a Casa Branca.

O jornal Washington Post, do qual Jamal era colunista, publicou, na versão impressa desta quinta-feira (18), o último texto dele, intitulado “Do que o mundo árabe mais precisa: liberdade de expressão”. No artigo, Jamal Khashoggi reforça que os casos de abuso contra jornalistas até geram protestos imediatos, que são sempre rapidamente seguidos do silêncio da comunidade internacional. Resta saber como acabará este caso em que ele mesmo foi vítima.

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