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Estupro Coreia do Sul Repressão

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Coreia do Sul se desculpa por estupros cometidos por soldados em 1980

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O ministro sul-coreano da Defesa, Jeong Kyeong-doo, pediu desculpas às vítimas de estupros cometidos por soldados. REUTERS/Joshua Roberts

O ministério sul-coreano da Defesa virou nesta segunda-feira (7) uma das páginas mais sombrias da história recente do país. As autoridades reconheceram e se desculparam por estupros cometidos pelo Exército durante a repressão a uma revolta popular pró-democracia em 1980.


O ministro da Defesa, Jeong Kyeong-doo, deplorou “a dor e as cicatrizes profundas e indizíveis” das “mulheres inocentes” que foram estupradas e submetidas a “torturas sexuais”. Os autores dos crimes foram militares que reprimiam manifestações contra o golpe cometido em 1979 pelo general Chun Doo-hwan.

A repressão de 1980 deixou, oficialmente, 165 mortos e 70 desaparecidos na cidade de Gwangju. Porém, as associações de defesa das vítimas afirmam que o balanço é pelo menos três vezes maior.

Além das agressões reconhecidas e que resultaram em mortes, muitos militares foram acusados de estupro. No entanto, em uma sociedade sul-coreana bastante patriarcal, o assunto sempre foi um tabu e raras foram as vítimas que tiveram coragem de denunciar.

Mas a situação mudou desde a chegada ao poder, em 2017, do presidente de centro-esquerda Moon Jae-in, ex-advogado especialista em direitos humanos. Ele anunciou, uma semana após sua eleição, que lançaria uma nova investigação sobre a repressão da revolta de 1980. O movimento #metoo também contribuiu para que as vítimas denunciassem os crimes.

Depoimento na televisão lançou novas investigações

Em maio, Kim Sun-ok, uma manifestante de Gwangju, chegou a contar em um programa de televisão que foi estuprada durante um interrogatório em 1980. O relato levou as autoridades a lançar investigações, “que confirmaram estupros, agressões sexuais e torturas sexuais cometidos por soldados encarregados de aplicar a lei marcial”, segundo um comunicado do próprio ministério da Defesa.

Apesar do pedido de desculpas do ministro, Kim Sun-ok disse que ainda não está pronta para perdoar. “Se os responsáveis forem julgados e punidos, um milhão de palavras de desculpas não valem nada”, declarou a manifestante.