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Assassinato Turquia Jamal Khashoggi

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Dezenas de pessoas prestam homenagem a jornalista Jamal Khashoggi em Istambul

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Manifestantes seguram a foto de Jamal Khashoggi, 25 de outubro de 2018 REUTERS/Osman Orsal

Dezenas de pessoas realizaram nesta sexta-feira (16), em Istambul, uma oração funerária simbólica em homenagem a Jamal Khashoggi. Nesse mesmo dia, a imprensa turca revelou ter mais provas que questionam a versão da Arábia Saudita sobre o assassinato do jornalista.


Um mês e meio depois de sua morte, que causou uma verdadeira comoção no mundo, o corpo de Khasshoggi, repórter crítico do governo saudita e que trabalhava para o jornal Washington Post, continua desaparecido. Diante de um espaço vazio, tradicionalmente reservado para um caixão, em frente à mesquita de Fatih, os amigos de Khashoggi fizeram uma “oração pelos ausentes”, um ritual do Islã para os mortos cujos corpos foram destruídos ou não foram encontrados, segundo os correspondentes da AFP.

"Como estamos convencidos de que o corpo nunca será encontrado, decidimos organizar essa oração pela salvação da alma de Khashoggi", disse Fatih Öke, diretor da Associação de Mídia Árabe Turca (TAM), da qual o jornalista era membro.

A cerimônia, que foi realizada sob chuva, "é também uma mensagem enviada ao mundo para dizer que o homicídio não ficará impune e que a justiça será feita", disse Ibrahim Pekder, um habitante de Istambul que assistiu ao tributo.

Os cartazes exibidos pelos amigos de Khashoggi diante da mesquita não deixam dúvidas sobre suas suspeitas, com a palavra "mártir" sob o rosto do jornalista, e a inscrição "assassino" sob a do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman. A Turquia dispõe de provas, em particular de uma gravação de áudio, que contradizem a versão do procurador saudita sobre o assassinato de Khashoggi, de acordo com o jornal Hürriyet.

Caso continua a provocar crise diplomática mundial

O procurador-geral saudita pediu na quinta-feira (15) pena de morte para cinco acusados de terem participado do assassinato de Khashoggi. Ele afirmou que o jornalista foi drogado e esquartejado no consulado de seu país em Istambul no dia 2 de outubro, mas isentou de qualquer culpa o príncipe herdeiro.

De acordo com o procurador, uma equipe viajou a Istambul com a missão de transportar de volta o jornalista por bem ou por mal, mas o chefe da operação tomou a decisão de matá-lo sem consultar os superiores. Os restos mortais do jornalista, de 59 anos, foram depois entregues a um agente do lado de fora do consulado.

O influente colunista Abdulkadir Selvi, próximo do governo turco, afirma no jornal Hürriyet que uma gravação de áudio em poder das autoridades de Ancara demonstra que, em nenhum momento, aconteceu uma tentativa de negociar com Khashoggi para convencê-lo a retornar à Arábia Saudita.  De acordo com Selvi, o repórter não foi drogado e sim estrangulado ou asfixiado "com uma corda ou uma sacola de plástico".

O jornalista afirma ainda que as forças de segurança turcas têm uma segunda gravação de áudio de 15 minutos feita antes do assassinato que não deixa dúvidas sobre o caráter deliberado do crime. No áudio, é possível "ouvir a equipe saudita conversando sobre como vão matar Khashoggi, revisando o plano preparado com antecedência e relembrando a cada um dos integrantes o papel que devem desempenhar", informa Selvi.

Na quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram sanções econômicas contra 17 autoridades sauditas envolvidas no crime, entre elas pessoas próximas do príncipe-herdeiro, assim como o cônsul-geral em Istambul, Mohammed Al Otaibi.