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No Dia Mundial dos Banheiros, ONU aponta que 4,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico

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estudantes limpam os retiros escolares na Harry C Elementary School, na cidade de Mansoureh, Serra Leoa.A Organização das Nações Unidas declarou dia 19 de novembro como Dia Mundial dos Banheiros. UNICEF Sierra Leona/2015/Kassaye

Nesta sexta-feira (19) é celebrado o Dia Mundial dos Banheiros e diversos estudos apontam para a ausência de saneamento básico em vários países. De acordo com a ONU, 4,5 bilhões de pessoas (60% da população) não possuem acesso a um banheiro em boas condições e 892 milhões praticam a defecação ao ar livre, acumulando grandes volumes de excrementos humanos sem tratamento. Especialistas ouvidos pela RFI analisam a situação e dizem que avanços foram alcançados, mas que é preciso fazer ainda muito mais.


Segundo os dados da ONU, cerca de 1,8 bilhão de pessoas dependem de uma fonte de água potável desprotegida de contaminação por materiais fecais. Além disso, 900 milhões de alunos do mundo todo não têm um dispositivo para lavar as mãos, contribuindo para a propagação de doenças. No planeta, mais de 80% das águas usadas em atividades humanas retornam ao meio ambiente sem tratamento.

“O dia de hoje serve para denunciar a ausência de banheiros, mas também para comemorar que a situação melhora”, disse à RFI Yves Reumaux, engenheiro hídrico e presidente da ONG Banheiros do Mundo. “Vários países começam a tratar esse assunto e refletem sobre políticas nesse sentido. As tecnologias também melhoram. O design dos banheiros se modernizou. Na África do Sul, pesquisadores conseguiram fazer tijolos com urina. Efetivamente, podemos dizer que a situação melhora. Não precisamos ser nem pessimistas demais, nem otimistas demais”.

Ele aponta que diversos problemas persistem, sobretudo em países em desenvolvimento. “No Burundi, fomos chamados para instalar banheiros em 30 escolas”, conta o especialista. “Quando dialogamos com o ministério da Educação, eles reconheciam que havia orçamento para construir os prédios, mas não para construir banheiros. Então dizíamos, ‘Isso é horrível’. E eles respondiam que preferiam criar várias escolas sem banheiro do que algumas com banheiro”.

Falta de informação e de dinheiro

A resistência no reconhecimento da necessidade do saneamento básico, não somente dos governos, mas também da população, é um desafio a ser enfrentado, segundo Marion Santi, engenheira de águas e de saneamento, que esteve no Burkina Faso. “Houve muito trabalho de sensibilização, sobretudo em meio escolar. Mas uma vez que as famílias tomam conhecimento da necessidade, há outras barreiras, como o preço dos banheiros”, afirma.

“Se moro em um país onde ninguém é capaz de construir um banheiro, o que faço? As tarifas variam de um país a outro. No Burkina Faso, os menos caros custam em torno de € 60, os mais caros entre € 200 e € 300”, declara Marion Santi. “No Djibuti, um banheiro custa € 1000, porque o país depende da importação e é difícil fazer perfurações no solo”.

A Etiópia é o país menos suscetível de ter acesso a um banheiro decente, segundo um relatório da ONG WaterAid, publicado nesta sexta-feira. De acordo com o estudo, 93% da população do país africano não tem acesso a saneamento básico, multiplicando os riscos de propagação de doenças.

Intitulada “A crise na sala de aula”, a pesquisa aponta que, em escala mundial, 620 milhões de estudantes não têm banheiros nas escolas. “É horrível porque coloca em risco a saúde, a educação e o bem estar”, afirma Savio Carvalho, diretor de campanha da Water Aid.