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Fim do Airbnb na Cisjordânia reforça ações contra ocupação israelense

Por Daniela Kresch

O serviço de reserva de hospedagem Airbnb decidiu na segunda-feira (19) retirar de suas listas todo o qualquer anúncio de casa ou cômodo para aluguel que fique em alguma colônia israelense na Cisjordânia. A decisão pegou os israelenses de surpresa, muitos alegam discriminação, mas era há tempos exigida pelos palestinos.

Da correspondente em Tel Aviv

As colônias israelenses na Cisjordânia são consideradas ilegais por quase toda comunidade internacional e ficam em território no qual os palestinos almejam criar um Estado independente, mas que Israel ocupa desde 1967.

Em comunicado, a empresa americana afirmou que não é especialista em disputas no Oriente Médio e que sua equipe demorou muito tempo para chegar a essa decisão. Mas que decidiu retirar cerca de 200 anúncios em assentamentos após reflexão. A empresa, no entanto, não deu uma data para execução da medida.

A liderança palestina elogiou a medida, mas afirmou que o Airbnb deveria ir adiante e fazer o mesmo com as listas de hospedagem também na parte Oriental de Jerusalém.

Repercussão política

A decisão não afeta a economia de Israel. Na verdade, o mês de outubro de 2018 foi o melhor da história de Israel em termos de turismo. Entraram no país quase meio milhão de turistas, um aumento de 14% em relação a outubro de 2017. Os ingressos com hospedagem na Cisjordânia, onde moram apenas cerca de 5% dos israelenses, não pesam tanto assim na indústria do turismo local ou na economia israelense.

A influência maior não é econômica: é política. Uma medida como essa de um site tão famoso pode fortalecer o movimento BDS, que prega boicote, desinvestimento e sanções contra Israel por causa do conflito com os palestinos. Esse movimento prega boicote a Israel mais ou menos nas linhas do boicote contra a África do Sul na era do Apartheid, o regime de segregação racial contra os negros.
 

Proprietários israelenses alegam discriminação

Os colonos israelenses esperam que o Airbnb volte atrás da decisão.

Eliana Passentin, de 45 anos, moradora do assentamento de Eli, por exemplo, disse que muitos cristãos do mundo todo pedem para alugar sua casa porque ela fica perto de Shiló, um local citado várias vezes na Bíblia. Ela considera que Eli fica em Israel.

Para Guidi Kalman, dono de uma pousada na Cisjordânia, a decisão do Airbnb é antissemita. Ele diz que o Airbnb não para de listar unidades na China por causa da disputa com o Tibete ou deixa de atuar na Turquia por causa do conflito com os curdos. Ele acha que o Airbnb deveria deixar a política de lado quando se trata de turismo.

O Airbnb ajuda turistas e outros visitantes a alugar quartos, casas ou apartamentos privados por temporada. O serviço tem, atualmente, mais de 500 mil anúncios em 35 mil cidades em 192 países. Mas, a partir de agora, quem quiser conhecer a Cisjordânia dentro de um assentamento israelense não poderá mais encontrar dicas no site.

Governo israelense critica decisão

Os israelenses não ficaram nada satisfeitos com a notícia. Oficialmente, a posição de Israel é a de que a Cisjordânia é um território em disputa, não ocupado, e que a situação será resolvida apenas com negociações de paz. Para membros do governo atual, no entanto, a Cisjordânia é parte integral de Israel, mesmo que isso não seja consenso entre toda a população.

O ministro do turismo, Yariv Levin, pediu ao Airbnb que volte atrás do que chamou de “decisão descriminatória”. Ele afirmou que a medida da empresa não passa de uma “rendição vergonhosa” à pressão da liderança palestina e ameaçou tomar medidas contra o site em Israel. O ministro também prometeu promover o turismo na Judeia e Samária – nomes bíblicos da Cisjordânia.

Outro ministro, o de Assuntos Estratégicos, Guilad Erdan, afirmou que “conflitos nacionais existem por todo o mundo” e que uma medida como essa apenas contra Israel seria injusta.

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