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ONGs denunciam trabalho escravo em obras da Copa do Mundo no Catar

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Operários estrangeiros trabalham em Doha, no Catar, dezembro 2016 STRINGER / AFP

As ONGs Comitê Contra a Escravidão Moderna (CCEM) e Sherpa anunciaram nesta quinta-feira (22) que prestaram queixa contra o grupo Vinci, em Paris, denunciando as condições de trabalho nas construções da Copa do Mundo de Futebol de 2022 no Catar.


Seis ex-funcionários indianos e nepaleses testemunharam e denunciaram “trabalho forçado, maus tratos, emprego incompatível com a dignidade humana, exposição a situações perigosas e ferimentos involuntários”, de acordo com o comunicado das ONGs.

Uma primeira queixa foi depositada pela Sherpa no dia 24 de março de 2015 e foi arquivada no dia 31 de janeiro de 2018. A nova denúncia vem após uma investigação da mesma organização na Índia, em setembro de 2018, “que permitiu reunir novos elementos e testemunhos que confirmaram a primeira enquete iniciada em 2014 no Catar”, diz o comunicado.

“As condições de trabalho dos funcionários da Vinci melhoraram após o processo judiciário de 2015 e da pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, afirmou a ONG Sherpa. “Entretanto, o impacto positivo não acaba com a realidade das infrações denunciadas e a justiça deverá examinar porque os fatos não foram investigados”.

Péssimas condições de trabalho e de moradia

Segundo um porta-voz da organização, os fatos ocorreram no período de 2014-2016. Tanto a Sherpa quanto a CCEM denunciaram o confisco de passaportes dos funcionários imigrantes obrigados a trabalhar “entre 66 e 77 horas por semana” por “remunerações inferiores ao trabalho fornecido”, abrigados em péssimas condições e ameaçados de demissão ou de extradição em caso de reclamação.

Além disso, os trabalhadores não tinham equipamentos suficientes para assegurar a proteção, sobretudo do calor (entre 40° e 50° durante o verão), que “provocou um número anormal de mortes” nos canteiros de obras.

“O salário mínimo dos trabalhadores imigrantes corresponde a menos de 2% do salário médio no Catar. Os empregados que testemunharam são pagos entre 50 centavos e 2 euros por hora trabalhada”, afirmam as duas ONGs. Vinci, que também é responsável pela construção de uma linha de metrô e uma rodovia, declarou que refuta “todas as alegações da Sherpa”.

Os passaportes nunca foram confiscados: todos os funcionários têm acesso a um cofre com tranca dentro do qual eles colocam o passaporte e podem retirá-lo quando querem”, disse o grupo num comunicado. “Nenhum acidente grave ligado ao calor foi constatado. Para 1.500 operários, quatro médicos e dez enfermeiros estão disponíveis 24h por dia”.