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Rússia bloqueia portos ucranianos do mar de Azov

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Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, conversa com militares durante visita ao 169º centro de treinamento "Desna" das forças terrestres do exército ucraniano na região de Chernihiv, na Ucrânia. 28/11/18. Mykola Lazarenko/Ukrainian Presidential Press Service/Reuters

A Rússia bloqueou os portos ucranianos de Berdiansk e Marioupol, no mar de Azov, quatro dias depois do incidente naval no estreito de Kertch. A informação foi dada pelo ministro ucraniano das infraestruturas, Volodimir Omelian, nesta quinta-feira (28). O governo da Ucrânia também pediu o apoio da OTAN diante da ameaça russa.


De acordo com o ministro ucraniano, que publicou a informação no Facebook, 35 embarcações foram impedidas de navegar. Apenas os navios que iam em direção aos portos russos puderam passar pelo estreito de Kerch. Dezoito barcos aguardam no mar Negro a autorização para entrar no mar de Azov, quatro deveriam atingir o porto de Berdiansk e 14 o porto de Marioupol. Outros nove navios aguardam a autorização para deixar a região.

A Rússia controla o estreito de Kertch, que liga o mar de Azov e o mar Negro e inaugurou em maio uma ponte de 18 quilômetros ligando o território à península da Crimeia, anexada em março de 2014 por Moscou. “O objetivo é simples: impor um bloqueio aos portos ucranianos. A Rússia espera que os ucranianos deixem o próprio território – que é nosso”, declarou o ministro.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, pediu nesta quinta-feira (28) aos países da OTAN, especialmente a Alemanha, o envio de navios de guerra ao Mar de Azov para apoiar seu país diante da ameaça da Rússia. “A Alemanha é um dos nossos aliados mais próximos e esperamos que países da OTAN estejam dispostos a enviar navios ao Mar de Azov para ajudar a Ucrânia e garantir a segurança" na região, declarou Poroshenko ao jornal alemão Bild.

Segundo Poroschenko, o presidente russo, Vladimir Putin quer ocupar o mar de Azov. "Não podemos aceitar esta política agressiva da Rússia. Primeiro foi a Crimeia, depois o leste da Ucrânia e agora quer o Mar de Azov".

Rota é crucial para exportações de cereais e aço

Na entrevista, o presidente ucraniano também se questiona o que Putin pode fazer se não as potências ocidentais não se mobilizarem para detê-lo. "Putin quer a volta do antigo império russo. Crimeia, Donbass, quer todo o país", denunciou Poroshenko. "Como imperador russo, tal como ele se vê, seu império não pode funcionar sem a Ucrânia. Ele nos considera uma colônia".

Um incidente entre a Guarda Costeira russa e navios ucranianos aconteceu no domingo (25) no Mar Negro, quando as embarcações tentavam entrar no estreito de Kerch para chegar ao Mar de Azov, uma rota marítima crucial para as exportações de cereais ou aço produzidos no leste da Ucrânia.

A guarda costeira russa, vinculada aos serviços de segurança (FSB), abordou dois navios patrulheiros e um rebocador ucranianos, acusando-os de ter entrado ilegalmente em águas territoriais russas. Vinte fuzileiros foram capturados pela marinha russa. No último domingo (25), a Rússia interceptou três navios ucranianos.

A Rússia classificou o incidente de "provocação", enquanto que a Ucrânia denunciou um "ato de agressão" e pediu a libertação de seus fuzileiros e o retorno de seus navios. Em resposta, a Ucrânia instaurou a lei marcial na fronteira. Desde a anexação da Crimeia, em 2014, a Rússia reivindica o controle do estreito de Kerch, a única rota marítima entre o Mar Negro e o Mar de Azov.