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Japão Carlos Ghosn Justiça

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Ministério Público de Tóquio decide indiciar Carlos Ghosn

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Carlos Ghosn, que já está detido em Tóquio, continua negando as acusações Toshifumi KITAMURA / AFP

Ministério Público de Tóquio decidiu indiciar o ex-presidente da Nissan, o franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, suspeito de ocultar parte de seus rendimentos. O grupo Nissan também pode ser responsabilizado por apresentar relatórios incorretos no mercado de ações da capital japonesa.


Com informações do correspondente em Tóquio, Frédéric Charles

De acordo com o jornal econômico Nikkei, a denúncia deve ocorrer na próxima segunda-feira (10), final do período de detenção provisória. Ghosn está preso desde 19 de novembro, em Tóquio, por suspeita de ocultar 5 bilhões de iens (equivalente a cerca de R$ 164 milhões) das autoridades japonesas, metade do valor que teria recebido ao longo de cinco anos.

A decisão do Ministério Público de Tóquio de denunciar Carlos Ghosn surpreende alguns advogados locais. Para eles, os promotores japoneses devem ter acumulado provas suficientes contra o executivo para não prolongar sua detenção provisória. No Japão, em 99% dos casos, uma pessoa acusada por crimes financeiros é condenada.

Com a denúncia, o Ministério Público japonês assume um risco já que, até o momento, as acusações excluem fraude fiscal. Segundo a defesa, o executivo garante ter verificado, junto às autoridades financeiras do Japão, o valor da receita que tinha que ser obrigatoriamente declarada nos documentos contábeis do grupo Nissan.

Nissan na mira da justiça japonesa

Essa pode ter sido a razão para o Ministério Público decidir acusar também o grupo Nissan. "Se for comprovado que Carlos Ghosn se envolveu em peculato, o conselho de administração da Nissan teve conhecimento, o que mostra a fraqueza dos controles internos da empresa", disse Jimmy Allen, especialista em governança corporativa na Ásia.

A previsão é que o braço direito de Ghosn, o ex-conselheiro Greg Kelly, também seja acusado por não ter evitado as supostas fraudes financeiras.

Ghosn, que nega as acusações, continua na função de CEO da fabricante francesa de automóveis Renault, mas foi destituído do cargo de presidente dos conselhos de administração da Nissan e da Mitsubishi Motors.