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ONU Aids assédio sexual

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Chefe da Unaids antecipa saída do cargo após escândalo sexual envolvendo brasileiro

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Michel Sidibé, presidente de Unaids, deixará o cargo mais cedo. Reuters

Em meio a críticas, o chefe da Unaids, o maliense Michel Sidibé, disse nesta quinta-feira (13) que deixará o cargo em junho. O anúncio é feito após a publicação de um relatório comprometedor sobre sua gestão de uma queixa interna por agressão sexual envolvendo o ex-chefe adjunto da agência da ONU, o brasileiro Luiz Loures.


O mandato do diretor executivo, no cargo há nove anos, terminaria em janeiro de 2020. No entanto, ele "expressou seu desejo de começar o processo de transferência da direção da Unaids durante o último ano de seu mandato (...) e vai pôr fim a suas funções em junho de 2019", segundo informou a porta-voz da agência Sophie Barton-Knott.

A saída antecipada de Sidibé representa uma concessão da parte do diretor executivo desta agência, criada em 1994 pelas Nações Unidas para coordenar os programas de luta contra a Aids. A entidade atravessa a pior crise de sua história, desencadeada em 2015, quando Loures, seu chefe adjunto, foi acusado de ter abusado sexualmente de uma colega.

O brasileiro acabou sendo absolvido em uma investigação interna das Nações Unidas. Em abril de 2018, no entanto, a Unaids foi obrigada a reabrir um processo por agressão sexual contra o ex-diretor-adjunto. Loures anunciou em fevereiro que não se recandidataria ao cargo e terminou suas funções no final de março de 2018.

Cultura da impunidade e culta da personalidade

O Conselho de Coordenação do Programa (CCP), uma espécie de Conselho de administração da Unaids presidido pelo Reino Unido, está reunido desde terça-feira (11) em Genebra para examinar o informe de um grupo de especialistas independentes encarregados de investigar as acusações de assédio, inclusive sexual, no Secretariado da agência. Suas conclusões, publicadas na semana passada, são comprometedoras para Sidibé, acusado de não ter "assumido suas responsabilidades ante uma cultura de impunidade" e de buscar o "culto da personalidade".

A Suécia, importante contribuinte para o orçamento da Unaids, também aderiu às críticas dos ativistas esta semana ao pedir sua saída. “Não temos nenhuma confiança nele, deve renunciar agora", declarou a ministra sueca de Cooperação e Desenvolvimento internacional, Isabella Lovin.

A associação Code Blue, membro da plataforma Aids Free World (Mundo sem Aids), que revelou os abusos dentro na Unaids, considerou nesta quinta-feira que não destituir Sidibé equivale a uma "falta de liderança" da parte do secretário-geral da ONU, António Guterres.

(Com informações da AFP)