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Austrália Embaixada Jerusalém Israel

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Em manobra para atrair eleitores, premiê da Austrália reconhece Jerusalém como capital de Israel

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Prime Minister Scott Morrison speaks to the media alongside Minister for Foreign Affairs Marise Payne during a news conference at Parliament House in Canberra, Australia, October 16, 2018. ©AAP/Mick Tsikas/via REUTERS

A Austrália reconheceu neste sábado (15) Jerusalém Ocidental como a capital de Israel. O primeiro-ministro Scott Morrison disse, no entanto, que a transferência da embaixada de Tel Aviv só ocorrerá após um acordo de paz com os palestinos.


Morrison também se comprometeu a reconhecer as aspirações de um futuro Estado para os palestinos tendo Jerusalém Oriental como sua capital, quando o status desta cidade for estabelecido em um acordo de paz. Em um discurso pronunciado em Sidney, o primeiro-ministro afirmou que pretende transferir a embaixada "quando for factível, após o conclusão de um status final" para a Cidade Santa. Até lá, a Austrália estabelecerá um escritório encarregado de Defesa e Comércio na parte oeste de Jerusalém.

Depois de reafirmar o compromisso com uma solução de dois Estados, o premiê disse que a Austrália não vai mais se abster na ONU sobre resoluções que, segundo ele, "atacam" Israel, como a que exige o não estabelecimento de missões diplomáticas em Jerusalém.

Morrison já havia mencionado em outubro, antes de uma eleição crucial para sua estreita maioria, essa mudança de direção na política externa da Austrália. Mas havia dado um passo atrás após a comoção política provocada no país.

Manobra eleitoreira

Aclamado na época pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o anúncio irritou a vizinha Indonésia, que possui a maior população muçulmana do mundo, e causou o congelamento de negociações para um acordo comercial bilateral. Antecipando o impacto de sua decisão, o governo australiano aconselhou cautela aos australianos em viagem à Indonésia.

Morrison procura seduzir o eleitorado judeu e cristão conservador e conquistar as boas graças da Casa Branca, enquanto teme um revés eleitoral no ano que vem.

Ao comentar a decisão do líder australiano, o embaixador palestino na Austrália, Izzat Abdulhadi, disse que seu governo pretende incitar os países árabes e muçulmanos a "retirar seus embaixadores" e adotar "medidas de boicote econômico" contra a Austrália.

Trump pressiona por mudança

Jerusalém é reivindicada tanto por israelenses como por palestinos, mas a maioria dos países prefere não instalar suas representações diplomáticas na cidade. Essa postura de cautela, motivada pelo contexto regional explosivo, foi rompida por Donald Trump. Em 6 de dezembro de 2017, o presidente americano reconheceu Jerusalém como capital israelense e transferiu a embaixada dos EUA de Tel Aviv para a Cidade Santa em maio passado. Desde então, outros países aliados de Washington adotaram a mesma medida.

A cerimônia de inauguração da embaixada americana em Jerusalém provocou um banho de sangue na Faixa de Gaza, palco de violentos confrontos entre palestinos e soldados israelenses ao longo da fronteira. Ao menos 62 palestinos morreram baleados.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), também estuda transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Ele já deu várias declarações contraditórias sobre o assunto. De um lado, Bolsonaro gostaria de seguir os passos de Donald Trump, mas teme represálias dos países árabes, parceiros comerciais importantes para o Brasil.