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Iêmen Médicos Sem Fronteiras crise humanitária

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Médicos Sem Fronteiras alerta para 'colapso total do sistema de saúde' no Iêmen

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Logo da ONG Médicos Sem Fronteiras REUTERS/Regis Duvignau

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) deu mais uma vez o sinal de alerta para a situação cada vez mais preocupante no Iêmen. Nesta quarta-feira (19), a ONG afirmou que, mesmo se ainda não se pode falar em casos de fome extrema, a taxa de pessoas desnutridas está explodindo, junto com “o desmoronamento total do sistema de saúde do país”.


Durante uma coletiva de imprensa na sede parisiense da ONG, Caroline Seguin, chefe da missão da MSF no Iêmen, ressaltou que esta é a crise humanitária “mais grave deste século”. Além do sistema de saúde, toda a economia entrou em colapso. Em 8 de dezembro, a ONU avaliou que “até 20 milhões de pessoas estariam em situação de insegurança alimentar”.

"Não estamos dizendo que há um caso de fome extrema”, disse Seguin. “Antes da guerra, a desnutrição já estava presente no Iêmen, onde sempre mantivemos um programa de luta contra esse problema. Mas os casos estão aumentando”, lamentou. A MSF atua em 11 das 21 províncias do país, onde administra diretamente 13 hospitais e apoia vinte estabelecimentos de saúde iemenitas, ressaltou o Dr Mego Terzian, presidente da ONG.

Foco deve ir além da nutrição

“O problema em falar de fome, em vez de desnutrição, é que as ONGs passam a focar em programas alimentares, quando na verdade acreditamos que os problemas sanitários são muito mais graves do que somente a questão alimentar. O desmoronamento total do sistema de saúde, da economia, faz com que, por exemplo, uma mulher grávida não possa pagar uma passagem de ônibus para fazer o trabalho de parto em um hospital”, afirmou Seguin.

“Funcionários deixaram de ser pagos há mais de dois anos, há um grande problema com importações”, completou. “A população está cada vez mais pobre. Uma economia de guerra foi instaurada pelos diferentes beligerantes, que controlam a gasolina, o gás. E é a população civil que acaba sofrendo”, destacou Seguin.

A falta de água também é crônica em várias regiões, completou a chefe de missão, o que explicaria a epidemia de cólera que dizimou o país no ano passado. “Há cada vez menos água, e a que tem é reservada para as plantações de khat – considerada como droga pela OMS – que vemos sempre resplandecentes e verdes. Para o khat, há sempre água. Já para os humanos, é outra história”, finalizou Caroline Seguin.