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Tsunami Indonésia Vulcão

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Número de vítimas de tsunami na Indonésia ultrapassa 400 mortos

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Mais de cinco mil pessoas estão desabrigadas na Indonésia, após tsunami do último sábado, 22 de dezembro. Reuters

As equipes de socorro continuam nesta terça-feira (25) as buscas por sobreviventes do tsunami que atingiu as ilhas de Java e Sumatra na noite de sábado (22). Segundo o último balanço de vítimas divulgado pelas autoridades, 429 mortos e mais de 1.400 feridos foram contabilizados até o momento, além de 154 pessoas desaparecidas.


As chuvas intensas que começaram a cair na região nas últimas horas atrapalham os trabalhos das equipes de resgate. Eles utilizam drones e a ajuda de cachorros farejadores para detectar corpos no meio dos escombros em uma área de mais de 100 quilômetros ao longo da costa de Java. Na corrida contra o tempo, alguns socorristas utilizam as próprias mãos para retirar os destroços e tentar encontrar pessoas com vida.

"O número de vítimas e de danos continuará aumentando", afirmou o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Sutopo Purwo Nugroho.

A falta de água potável e de medicamentos complica as buscas e prejudica o atendimento de milhares de pessoas em centros de emergência. Os trabalhadores humanitários alertaram para os riscos de crise sanitária. Além disso, mais de cinco mil pessoas estão desabrigadas.

Alerta para a maré alta

Centenas de residências, hotéis e lojas foram varridos do mapa pelo tsunami, deixando para trás toneladas de fragmentos de construções e árvores. As autoridades ainda temem que o fenômeno se repita nos próximos dias em consequência da atividade vulcânica e insistem para que a população e os turistas não se aproximem do litoral.

O alerta sobre a maré alta na região foi prolongado para até quarta-feira (26). O ministro das Obras Públicas, Basuki Hadimuljono, ordenou que os trabalhos de resgate sejam interrompidos no caso de qualquer sinal de turbulência nas águas do litoral da Indonésia. Milhares de pessoas foram levadas para zonas elevadas das ilhas.

Erupção do vulcão Anak Krakatoa

O tsunami atingiu praias do sul da ilha de Sumatra e do extremo oeste de Java às 21h30 locais (12h30 de Brasília) de sábado. De acordo com autoridades, a onda gigante foi provocada por uma avalanche no fundo do mar após a erupção do vulcão Anak Krakatoa, um dos 127 vulcões ativos da Indonésia. O fenômeno foi intensificado por uma maré excepcionalmente alta devido à lua cheia.

As erupções vulcânicas submarinas, relativamente incomuns, podem provocar tsunamis pelo deslocamento repentino de água ou desabamentos de encostas, de acordo com o Centro Internacional de Informação sobre Tsunamis. Ao contrário dos tsunamis provocados por terremotos, as ondas 'vulcânicas' deixam muito pouco tempo às autoridades para prevenir a população.

"O risco de tsunami no Estreito de Sunda prosseguirá alto enquanto o vulcão continuar em sua fase de atividade, porque pode provocar novos deslizamentos de terra submarinos", advertiu Richard Teeuw, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido.

Círculo de Fogo do Pacífico

A Indonésia fica no Círculo de Fogo do Pacífico, onde se encontram placas tectônicas nas quais acontecem grande parte das erupções vulcânicas e terremotos do planeta.

O país sofre com frequência terremotos violentos, o mais recente deles na cidade de Palu, na ilha Célebes, onde 1.200 de pessoas morreram em setembro em Palu, na ilha de Sulawesi, vítimas de um terremoto que gerou tsunami.

Em 26 de dezembro de 2004, um tsunami provocado por um terremoto no fundo do mar de intensidade 9,3 na escala Richter, na costa de Sumatra, terminou com a morte de 220 mil pessoas em vários países do Oceano Índico, 168 mil delas apenas na Indonésia.