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Egito Copta cristãos Atentado Abdel Fattah al-Sissi Igreja

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Minoria religiosa, cristãos coptas celebram Natal sob forte segurança no Egito

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Nova catedral inaugurada no Cairo, onde será celebrado o Natal dos coptas nesta segunda-feira (7). REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

Os 10 milhões de coptas ortodoxos do Egito comemoram o Natal nesta segunda-feira (7) sob forte segurança na nova catedral inaugurada pelo presidente Abdel Fattah al-Sissi especialmente para a ocasião. A comunidade cristã copta, estimada em 10% da população egípcia, que conta cerca de 100 milhões de habitantes no total, é regularmente alvo de ataques, principalmente do grupo Estado Islâmico (EI).


O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, inaugurou neste domingo (6) uma gigantesca catedral perto da capital, Cairo, por ocasião do Natal da comunidade cristã copta. Juntamente com o papa ortodoxo Tawadros II, o chefe de Estado declarou que o país estava vivendo "um momento importante de (sua) história".

O evento ocorreu sob segurança reforçada após a descoberta, perto de uma igreja, de um artefato explosivo que matou um policial no sábado (5). Na ocasião, um comandante da polícia egípcia morreu ao tentar desarmar uma bomba colocada perto de uma igreja.

No comando do Egito desde 2014, o presidente Sissi frequentemente se apresenta como um defensor dos cristãos contra extremistas. Mas alguns analistas e ativistas ainda culpam o Estado por discriminação e por não proteger o suficiente os coptas.

Em fevereiro de 2018, o Egito lançou uma operação maciça contra o EI, cuja filial local é baseada no Sinai (leste). Mais de 500 supostos jihadistas foram mortos desde então, segundo dados oficiais. Mas os cristãos coptas não são os únicos alvos dos movimentos extremistas. Centenas de policiais e soldados foram mortos em ataques.

Mensagens ecumênicas de paz

Presente na inauguração da catedral, Ahmed el-Tayeb, o grande imã de Al-Azhar, instituição influente do islamismo sunita com sede no Cairo, disse que "os muçulmanos devem proteger as igrejas". Entre músicas e pequenos clipes defendendo a tolerância, as autoridades transmitiram uma mensagem televisionada do Papa Francisco. O pontífice saudou o papa copta Tawadros II e sua Igreja "que deram um verdadeiro testemunho de fé e amor mesmo nos momentos mais difíceis".

No Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que repetidamente expressou simpatia por seu colega egípcio, disse estar "muito feliz em ver nossos amigos no Egito abrirem a maior catedral do Oriente Médio".

O Egito enfrenta regularmente ameaças de movimentos extremistas, desde a destituição pelo Exército do presidente islâmico Mohamed Mursi, em 2013, seguida de uma repressão aos partidários do ex-chefe de Estado.

Mais de cem coptas foram mortos em ataques contra cristãos desde o final de 2016, no Egito. Eles também estão desde 2016 na mira do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), que reivindicou vários ataques mortais contra esta minoria religiosa no país.