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RDC elege sucessor de Kabila, mas resultados são contestados

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O candidato da oposição Félix Tshisekedi venceu as eleições presidenciais na República Democrática do Congo, informou nesta quinta-feira a Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI). REUTERS/Baz Ratner

As autoridades eleitorais da República Democrática do Congo (RDC) divulgaram na madrugada desta quinta-feira (10) os resultados da eleição presidencial realizada no dia 30 de dezembro. O opositor Félix Tshisekedi foi declarado provisoriamente eleito com 38,5% dos votos.


Mas o resultado é contestado pelo segundo colocado, também de oposição, Martin Fayulu, apontado com 34,8% dos votos. Em entrevista à RFI, Fayulu qualificou sua suposta derrota de "golpe eleitoral".

A França pediu esclarecimentos sobre os resultados. O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, afirmou que os dados não estão de acordo com o que apurou a Conferência Episcopal do Congo, que acompanhou a votação com 40 mil observadores, e vinha apontando vitória de Martin Fayulu em suas projeções. A Bélgica disse, em tom cauteloso, que os resultados requerem uma avaliação detalhada do Conselho de Segurança da ONU nos próximos dias. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu calma a todas as partes e que evitem a violência.

Kabila governou 18 anos com mãos de ferro

Essa eleição deveria pacificar a República Democrática do Congo, que passou 18 anos presidida por Joseph Kabila, um líder autoritário. Apesar do vencedor Félix Tshisekedi ser filho de um opositor histórico, existe a suspeita que ele tenha fechado, por baixo do pano, uma aliança com o clã de Kabila.

Em seu discurso da vitória, Félix Tshisekedi disse que não será o presidente de uma organização política, nem de uma tribo, mas o presidente de todos os congoleses, e prestou homenagem a Kabila referindo-se a ele como um importante parceiro político. A RDC é rica em minerais, como diamante, coltan, cobre, ouro e também tem grande potencial agrícola, mas o povo congolês vive em uma situação de grande pobreza.