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Justin Trudeau diz que condenação de canadense à pena de morte na China é “arbitrária”

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Justin Trudeau disse que atitude chinesa é "preocupante" e "arbitrária" SAUL LOEB / AFP

Um tribunal chinês condenou à pena de morte, nesta segunda-feira (14), um cidadão canadense acusado de tráfico de drogas. A decisão foi anunciada em meio a uma crise diplomática entre Pequim e Ottawa.


Robert Lloyd Schellenberg, 36, já havia sido condenado em primeira instância, em um processo durante o qual alegou inocência. A China e o Canadá vivem um momento de grande tensão nas relações diplomáticas, devido à recente detenção no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, de Meng Wanzhou, diretora financeira do gigante chinês das telecomunicações Huawei.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que a condenação é “extremamente inquietante”. “É preocupante que a China comece a agir de forma arbitrária para aplicar a pena de morte, sobretudo a um canadense. Vamos continuar a defender os interesses de todos os canadenses submetidos à pena de morte”, disse.

Logo após a prisão da diretora financeira da Huawei, a China também deteve dois canadenseses: um ex-diplomata, Michael Kovrig, e um analista, Michael Spavor, acusados pelas autoridades chinesas de ameaçar a segurança nacional. Mas a comunidade internacional vê as detenções como uma forma de retaliação da parte do governo chinês.

Acusado alega ter se encontrado com traficante por acaso

Condenado em primeira instância em novembro a 15 anos de prisão e multa de 150.000 ienes (€ 19.000), Schellenberg recorreu da sentença. Mas a medida se voltou contra ele: a Alta Corte da província de Liaoning, nordeste do país, julgou que o veredito era, na verdade, “indulgente demais”, tendo em vista a gravidade dos fatos.

“Não sou traficante de drogas, vim à China apenas para fazer turismo”, disse o acusado, durante seu processo. “O tribunal rejeita totalmente as explicações e a defesa do acusado, porque elas não correspondem aos fatos”, afirmou o juiz responsável pelo caso, ao dar o veredito na audiência, em presença de 70 pessoas. Entre elas, diversos diplomatas canadenses e três jornalistas estrangeiros, incluindo um da AFP.

Robert Lloyd Schellenberg foi acusado de ter uma “participação importante” no seio de um grupo criminal responsável pelo tráfico de drogas. O jovem alegou ter conhecido o criminoso Xu Qing através de um amigo, que o apresentou como um “tradutor”. “Esse caso é sobre Xu Qing, um traficante internacional e um mentiroso”, argumentou o canadense.

Caso não é o primeiro

O ministério canadense das Relações Exteriores declarou que acompanha o caso em detalhes e que pretende fornecer assistência consular a Rober Lloyd Schellenberd. “Está claso que os tribunais chineses não são independentes” porque “podem ser influenciados pelo Partido Comunista”, declarou William Nee, da ONG Anistia Internacional. O ministro chinês das Relações Exteriores disse que não era necessário “politizar questões judiciárias”.

A China já executou estrangeiros por crimes ligados a drogas. Em 2014, um japonês foi condenado à pena de morte por tráfico, de acordo com diplomatas do Japão. Em 2013, um traficante filipino também teve a mesma sentença, a despeito do apelo de seu país para que sua vida fosse mantida.