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Carlos Ghosn Japão Nissan

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Carlos Ghosn se diz vítima de "complô e traição" na Nissan

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O franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, durante coletiva de imprensa da Renault em setembro de 2018. CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Preso no Japão por fraude financeira, o franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, ex-presidente da montadora Renault, afirma não ter dúvidas de ter sido vítima de "um complô e uma traição" da parte dos dirigentes da Nissan. As declarações do empresário foram publicadas nesta quarta-feira (30) pelo jornal econômico japonês Nikkei.


Ghosn, de 64 anos, concedeu a entrevista da prisão onde está detido desde 19 de novembro em Tóquio. Essa é a primeira vez que o empresário conversa com a imprensa, desde que o caso veio à tona.

Segundo Ghosn, os executivos da Nissan seriam contra a junção da fabricante japonesa com a Renault. "O projeto de integrar a Renault, a Nissan e a Mitsubishi Motors foi abordado com o patrão da Nissan, Hiroto Saikawa, em setembro de 2018", revelou.

Logo depois que a entrevista foi publicada, a Nissan reagiu, refutando as acusações. Segundo a empresa, Saikawa já havia "categoricamente rejeitado a noção de golpe contra Ghosn". A denúncia se deve à irregularidades protagonizadas pelo empresário dentro da companhia, depois que uma investigação secreta realizada em 2018 "revelou provas significativas e convincentes de malversações", justificou a Nissan.

Ditador da Nissan

O executivo franco-líbano-brasileiro também rejeitou as acusações de que seus 19 anos à frente do grupo foram "uma ditadura". "Traduziram 'liderança forte' como 'ditadura', deformando a realidade para se livrar de mim", disse.

Diante do tribunal, em 8 de janeiro, o empresário já havia negado as acusações que pairam contra ele, abuso de confiança e omissão de parte de sua renda entre 2010 e 2018. Desde novembro, seus advogados fizeram vários pedidos de liberdade sob pagamento de fiança, mas a justiça os recusou, alegando o risco de dissimulação, destruição de provas ou mesmo da possibilidade de fuga de Ghosn do Japão.

No final de novembro, o executivo foi demitido da presidência dos conselhos de administração da Nissan e da Mitsubishi Motors. Na Renault, havia sido temporariamente substituído por um presidente interino, mas acabou pedindo demissão na semana passada.