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Abu Dhabi: Minoria católica faz fila para ver papa Francisco no berço do Islã

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Filas se formaram ao redor da Catedral de São José, onde são distribuídos os ingressos para o acesso à missa do papa Francisco Richard Furst/RFI

O papa Francisco chega a Abu Dhabi na noite desde domingo (3) para uma viagem histórica, pois essa é a primeira vez que um sumo pontífice visita a Península Arábica, local do nascimento do Islã. Mesmo se todos os nativos são muçulmanos, uma minoria de estrangeiros católicos vive no país e espera com ansiedade a chegada do representante do Vaticano. O argentino participa de vários encontros com líderes religiosos, antes de celebrar uma missa, na terça-feira (5).


Richard Furst, de Abu Dhabi, especial para a RFI

Nos Emirados Árabes Unidos é difícil encontrar uma igreja, mesmo estando diante do templo. Isso porque é proibido colocar uma cruz ou construir torres na região, onde as mesquitas monopolizam o cenário com seus altos minaretes. Além disso, enquanto os alto-falantes convocam os muçulmanos para as cinco orações diárias, os sinos dos poucos templos cristãos não tocam.

Entretanto, nove igrejas católicas já foram erguidas nos Emirados Árabes, algo considerado um avanço para o diálogo entre as religiões. Principalmente se comparado à situação dos demais países da Península Arábica, como a Arábia Saudita, que proíbe qualquer local de oração que não seja muçulmano.

Mais de 130 mil fieis são esperados

Mas em Abu Dhabi, nos últimos dias, o movimento em volta das poucas igrejas tem aumentado com a chegada iminente do papa Francisco no Emirado. Uma fila tem dado voltas gigantes ao redor da Catedral de São José, onde são distribuídos os ingressos para o acesso à missa do sumo pontífice, que será celebrada nesta terça-feira para cerca de 135 mil pessoas num estádio da capital dos Emirados.

Fieis esperam para retirar ingressos para a missa do papa Francisco em Abu Dhabi Richard Furst/RFI

A aglomeração para os ingressos é principalmente entre trabalhadores filipinos e indianos que moram nos Emirados, vindos de Abu Dhabi e Dubai, mas também de países vizinhos, como o Qatar. A coordenadora de eventos portuguesa Cristina Carreiras, que mora há cinco anos em Abu Dhabi, faz parte desses estrangeiros que faziam fila diante do templo neste domingo (3). Além de ter ficado feliz em finalmente conseguir uma entrada para a missa, a católica está otimista com os efeitos da visita de Francisco na região.

Mudar a imagem dos Emirados no exterior

“É fantástico podermos estar com o papa em um país árabe, muçulmano, neste ano que é o Ano da Tolerância (aqui nos Emirados). Eu acho que vai abrir a imagem para o exterior, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, onde há uma imagem errada de que os Emirados são países fechados. E não são. A viagem do papa é um exemplo desta abertura: aqui respeitamos as religiões uns dos outros”, explica a portuguesa, apesar da restrição no número de padres e espaços limitados para os católicos que vivem nos Emirados.

A portuguesa Cristina Carreiras, que mora há cinco anos em Abu Dhabi, exibe com orgulho o ingresso para a missa do papa Francisco. Richard Furst/RFI

A cerimônia de boas-vindas ao papa será realizada na segunda-feira (4), ao meio-dia local (6h de Brasília) na entrada do Palácio presidencial, quando Francisco se encontrará com o príncipe herdeiro, o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

Partidário do diálogo inter-religioso, o papa Francisco já visitou outros países de maioria muçulmana. Desde o início de seu papado, o sumo pontífice já esteve na Turquia (2014), no Azerbaijão (2016) e no Egito (2017), e irá a Marrocos em março deste ano.