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Nos Emirados, papa Francisco defende cristãos e diálogo com outras religiões

O papa Francisco, e o grande imã, Ahmad el-Tayeb, a maior referência para os sunitas, participam de um dos maiores encontros entre religiões do mundo realizado nos Emirados Árabes Unidos, nesta segunda-feira (4).

Richard Furst, especial para a RFI dos Emirados Árabes Unidos

Desde o início do pontificado, em 2013, Francisco já visitou 41 países ao longo de 27 viagens, mas esse talvez seja um dos deslocamentos mais importantes do papa. Primeiro, porque jamais na história houve uma aproximação tão grande entre o cristianismo e o islamismo como o que está acontecendo hoje, em Abu Dhabi. A Península Arábica é muçulmana e a maior autoridade católica jamais havia visitado o país.

O papa foi recebido neste domingo (3) no aeroporto de Abu Dhabi por soldados vestindo trajes típicos em uma recepção “atípica”, descreve o repórter Richard Furst, que acompanha a visita do sumo pontífice em Abu Dhabi. O papa está sendo recebido com honrarias de Estado e vai celebrar a primeira missa em um espaço aberto para um público acima de 130 mil pessoas.

A celebração está marcada para esta terça-feira (5) pela manhã em Abu Dhabi, em um estádio da capital dos Emirados. O papa só vai visitar Abu Dhabi. A população de Dubai, por exemplo, interessada na visita, terá de viajar os 100 km que separam as duas cidades.

A segurança não foi especialmente reforçada para a visita do papa. É quase imperceptível o maior número de soldados nas ruas, mas há maior vigilância. O que impressiona, assim como em outras viagens do pontífice, é a quantidade de carros ao redor do veículo que o papa circula aqui nos Emirados.

A visita tem muitos apelos, entre eles a aproximação de cristãos e muçulmanos. Francisco deve falar sobre situação caótica no Iêmen, onde forças militares de Abu Dhabi intervêm ao lado da Arábia Saudita. O assunto provavelmente foi tema da conversa com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohamed bin Zayed al-Nahyane, neste domingo (3), mas detalhes do encontro não foram revelado.

Talvez este seja até um dos motivos do papa ter decidido tão rapidamente viajar aos Emirados, porque a questão no Iêmen é urgente. Um conflito no país, que já dura quatro anos, provoca fome e falta de abastecimento de comida e água em várias regiões. A rivalidade que se intensifica entre o Qatar e os Emirados Árabes Unidos também é motivo de preocupação. Há indícios de que o governo do Qatar apoia integrantes da Irmandade Muçulmana, o que não agrada aos líderes de Abu Dhabi.

Um milhão de católicos

Nos Emirados Árabes Unidos, há liberdade cultural e determinada tolerância religiosa. Aproximadamente um milhão de católicos vive nos Emirados, algo em torno de 10% da população.

A celebração da missa no país é na sexta-feira e não no domingo, dia de folga da maioria dos fiéis. Muitos católicos nos Emirados trabalham na limpeza de hotéis e na construção civil. Muitos estrangeiros são taxistas.

Segundo as leis do país, um estrangeiro que ao completar 65 anos não consiga comprovar renda muito alta, deverá voltar às suas origens ou deixar os Emirados Árabes Unidos. Uma questão que a viagem do papa poderá ajudar a melhorar.

 

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