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Papa Francisco Abu Dhabi Missa Igreja Católica

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Papa Francisco reúne 170 mil fiéis para missa com recorde de frequentação em Abu Dhabi

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O Papa Francisco realizou uma missa no estádio Zayed Sports City, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, em 5 de fevereiro de 2019. Vatican Media/­Handout

O papa Francisco termina nesta terça-feira (5) sua visita histórica aos Emirados Árabes Unidos, a primeira de um sumo pontífice à Península Arábica. No total, 170 mil fiéis lotaram o estádio Zayed Sports City e os arredores - um recorde no local, anunciaram os organizadores.


Richard Furst, de Abu Dhabi, especial para a RFI

Cerca de 135 mil ingressos foram distribuídos para a cerimônia. Do lado de fora do estádio, uma multidão de fiéis eufóricos se aglomerou para assistir à chegada do religioso em seu "papamóvel". Segundo os organizadores, 170 mil pessoas marcaram presença no local.

Francisco, fiel à ideia de aproximação da Igreja Católica com os desfavorecidos, fez questão de cumprimentar os trabalhadores imigrantes, a maioria filipinos e indianos. Muitos faltaram ao trabalho para participar da primeira missa celebrada por um papa na península onde nasceu o islã.

"Com certeza não é fácil, para vós, viver longe de casa e talvez sentir, além da falta dos entes mais queridos, a incerteza do futuro", afirmou o sumo pontífice. O papa argentino, filho de italianos, é extremamente sensível às dificuldades dos imigrantes. "Formais um coro que engloba uma variedade de nações, línguas e ritos", destacou o religioso, mencionando a "jubilosa polifonia da fé" que a Igreja Católica constrói.

O governo teve que declarar feriado facultativo porque a maioria dos católicos são empregados domésticos, porteiros e taxistas nos Emirados Árabes. Todos são estrangeiros, já que a monarquia do país não concede a cidadania, mesmo após longo tempo vivido no país.

As celebrações públicas são proibidas nos Emirados: a missa do papa foi a primeira grande exceção. A presença de estrangeiros em locais de culto cristãos é tolerada no país, à condição que estes sejam discretos e evitem o proselitismo.

Visita gera forte emoção nos Emirados

Em uma grande esquina de Abu Dhabi, um grupo de pessoas esperou durante três horas a passagem de uma van que transportava o papa. Dentro do veículo, além de Francisco, estavam o grande imã do Cairo e o padre copta que atuou como tradutor de Jorge Bergoglio em Abu Dhabi.

O momento durou apenas alguns segundos, mas os celulares registraram o aceno de Francisco. “É inacreditável como uma pessoa tem este poder de reunir o mundo inteiro”, disse uma das americanas, ao lado de filipinos, indianos e outros turistas.

Já em frente a um dos hotéis de luxo de Abu Dhabi, um grupo amigos parou para assistir a cerimônia pelo telão na entrada do local. "Eu me sinto orgulhoso do meu país por ter feito um encontro como este", disse sorrindo um jovem emirati.

Visita focada no diálogo inter-religioso

O forte ruído de ares-condicionados se misturavam nesta terça-feira com as orações vindas dos auto-falantes das mesquitas, cinco vezes ao dia. Tudo sob um calor de 27°C do "inverno" em Abu Dhabi. É neste ambiente que Francisco escolheu encerrar sua primeira viagem à Península Arábica, local onde nasceu o islã.

O diálogo inter-religioso, particularmente com os muçulmanos, se tornou um tema central do pontificado de Francisco. É o que afirma o italiano Giuseppe Girotti, autor do livro "Noi Fratelli" ("Nós irmãos", tradução livre). A obra, de 300 páginas, lançada há seis meses, só está disponível em italiano.

O italiano Giuseppe Girotti, autor do livro "Noi Fratelli" ("Nós Irmãos", tradução livre). Richard Furst

"O papa não é um rei, o papa é o chefe de Estado do Vaticano, mas não é o primeiro-ministro do mundo - o mesmo vale para o grande imã, al-Taybe. Eles são dois importantes pontos de referência para as pessoas, devido a sua fé. São os governantes do mundo que devem fazer alguma coisa para colocar em prática o que o papa e o grande imã assinaram. Os dois religiosos rezam e encorajam os líderes no mundo. A cooperação ajuda as pessoas a se tornarem mais próximas",  afirma o italiano que está em Abu Dhabi acompanhando Francisco de perto.

Girotti, que trabalha como jornalista no Vaticano há cinco anos, apresentou o livro ao Papa Francisco antes de ser publicado. A obra ganhou uma mensagem especial do pontífice, que segundo o autor, incentiva o trabalho de pesquisa sobre um tema apreciado por Francisco.