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Bispo que estuprou freira 13 vezes na Índia continua impune

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Igreja Católica enfrenta novos escândalos sexuais envolvendo seus membros. REUTERS/Jason Cohn

No momento em que a Igreja Católica admite a existência de abuso sexual envolvendo padres, inclusive com freiras sendo usadas como “escravas sexuais”, novos casos começam a vir à tona. Uma religiosa na Índia afirma ter sido estuprada por um bispo e, mesmo tendo denunciado a agressão, o crime permanece impune.


Sébastien Farcis, correspondente da RFI na Índia

A freira que atuava na região do Kerala, no sul da Índia, diz ter sido estuprada 13 vezes entre 2014 e 2016 pelo bispo de sua congregação. A mulher de 44 anos, membro dos Missionários de Jesus, tentou informar seus superiores várias vezes, denunciando a atitude do religioso, que ela qualificava de “predador”.

Após ter enviado quatro cartas às autoridades do Vaticano, uma delas diretamente ao papa Francisco, a freira tentou mobilizar, sem sucesso, as autoridades indianas. Somente após ter feito greve de fome com outras religiosas ela conseguiu chamar a atenção para seu caso. Em setembro passado, o bispo foi indiciado, mas liberado após pagar fiança.

A congregação dos Missionários de Jesus afirma ter realizado uma investigação interna, que teria atestado a inocência do bispo. O suspeito negou as acusações durante todo o processo e alega que a freira seria autora de um complô contra a Igreja Católica.

Papa admite existência de freiras “escravas sexuais”

Após os escândalos de pedofilia envolvendo membros da igreja, as denúncias de abuso sexuais de freiras arranham novamente a imagem Vaticano. Na terça-feira (5), na viagem de volta de Abu Dhabi, o papa Francisco chegou a confirmar que padres teriam usado freiras como “escravas sexuais”.

Questionado sobre o assunto, o sumo pontífice disse que esse fenômeno pode ser encontrado "em todos os lugares". Mas, segundo ele, esses casos estão mais presentes em "algumas novas congregações e em algumas regiões". "Estamos trabalhando nesse assunto há muito tempo", disse o chefe da Igreja Católica.

O sumo pontífice prestou homenagem ao seu predecessor, Bento XVI, que teve "a coragem de dissolver uma congregação feminina", onde "havia esta escravidão de mulheres, escravização que chegava à escravidão sexual das mulheres pelos clérigos e seu fundador".

Jorge Bergoglio fazia alusão a congregação francesa das Irmãs contemplativas de São João, cujos superiores foram afastados após uma investigação do Vaticano sobre excessos sectários e sexuais. Segundo a Santa Sé, por "escravidão sexual" o papa quis dizer "manipulação, uma forma de abuso de poder que também se reflete em abusos sexuais".