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Venezuelanos morrem por falta de morfina e insulina

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Ajuda humanitária chega ao aeroporto de Cucuta, na Colômbia, em16 de fevereiro de 2019. REUTERS/Luisa Gonzalez

Segundo o representante da organização Médicos para a Saúde, Julio Castro, a ausência de medicamentos como a morfina, indispensável no controle da dor, provocou a morte de venezuelanos que poderiam ter sido salvos nos prontos-socorros.


Em entrevista à RFI, Castro falou sobre a situação caótica nos hospitais venezuelanos. De acordo com ele, 60% dos estabelecimentos não têm insulina e 55% não dispõem de morfina para gerenciar situações urgentes. A falta de medicamentos indispensáveis ao controle da pressão arterial, estima, é superior a 50%.

Segundo ele, as cerca de 1.500 mortes teriam ocorrido nos últimos dois meses. Trata-se de uma estimativa preliminar, mas o médico venezuelano acredita que os pacientes foram vítimas de acidentes cardiovasculares e politraumatismos que não puderam ser tratados no momento em que chegaram ao hospital.

“Há venezuelanos que chegam ao pronto-socorro de um hospital e não encontram os remédios que poderiam salvá-los. Isso não deveria acontecer em um país como a Venezuela", disse Castro. Atualmente, no país, faltam 90% dos produtos médicos e quase todos os laboratórios públicos estão fechados, de acordo com a organização.

O opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino reconhecido por cerca de 50 países, prometeu que a ajuda humanitária, estocada há dez dias na fronteira com a Colômbia, entrará nesta quinta-feira (21) no país, apesar da recusa do presidente Nicolás Maduro.

Amostras não puderam ser analisadas

No laboratório do Banco de Sangue de Caracas, dezenas de amostras ficaram meses estocadas à espera de um produto reativo necessário para analisá-las. Os pacientes morreram sem saber qual era o diagnóstico, e outros foram obrigados a adiar suas cirurgias. “Antes, podíamos tratar entre 500 e 600 casos por mês, mas hoje não podemos cuidar de nenhum”, declara Marion Echenagucia, responsável do laboratório.

As situações são dramáticas, como a de Eurídice, moradora de Rio Chico, a 130 quilômetros de Caracas, que recebeu medicamentos apenas para um de seus filhos. Os dois, de 5 e 7 anos, são hemofílicos. Outro exemplo são os pacientes vítimas do Mal de Parkinson, que não têm acesso ao tratamento que custa entre US$ 400 e 600. Mas mesmo para que tem a possibilidade de comprar os remédios, eles não estão disponíveis na Venezuela.