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Nova geração de ativistas mudou as regras da militância

Por Silvano Mendes

As revistas francesas L’Obs e Aujourd’hui en France Week-End trazem em suas edições desta semana reportagens de capa sobre o engajamento atual dos jovens pelas causas ambientais, pela democracia e pela luta contra a desigualdade. Em pleno movimento de greve mundial pelo clima, as publicações traçam um perfil dessa geração “mobilizada e criativa”, decidida a se encarregar de nosso destino em todos os âmbitos da sociedade.

As reportagens contam como a nova geração de militantes vem se organizando para defender suas causas. O exemplo mais conhecido é o da sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que ganha um perfil de duas páginas em ambas as publicações e é chamada pela L’Obs de “ícone da primavera climática”. Mas a revista também apresenta nomes como Boyan Slat, holandês de 24 anos que luta pela proteção dos oceanos, o francês Jérôme Jarre, 29 anos, que milita pela sobrevivência da minoria Rohingya, ou ainda a americana Jazz Jennings, 18 anos, que defende a causa das pessoas trans, sua compatriota Yara Shahidi, 18 anos, que faz campanha contra o abstencionismo nas urnas nos Estados Unidos.

Como ressalta L’Obs, uma das particularidades desses novos ativistas é o fato de que, ao contrário dos mais velhos, eles ultrapassaram a luta de gerações que marcou os protestos juvenis de seus pais. “Não temos tempo a perder tentando encontrar os responsáveis. Nós não estamos em busca deum arrependimento dos mais velhos. Queremos apenas que se unam a nós”, explica à revista Martial Breton, militante de 23 anos e um dos organizadores da marcha realizada na sexta-feira, 15 de março na França.

O sociólogo Laurent Lardeux comenta nas páginas da L’Obs que os jovens das gerações passadas procuravam uma forma de liberação diante das amarras impostas pelos mais velhos. “Os jovens de hoje pedem uma certa disciplina. Uma reivindicação com uma pitada de nostalgia diante de um mundo que eles sabem que está desaparecendo”, analisa.

Representação feminina e independência partidária

“O que mais chama a atenção entre esses militantes é a importante representação das mulheres”, ressalta por sua vez Aujourd’hui en France Week-End. A revista cita, além de Greta Thunberg, a militante anti-armas Emma Gonzalez, a prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, ou ainda a defensora do veganismo Genesis Butler. Segundo a revista, as passeatas atuais contam com uma maioria de meninas, o que a reportagem atribui a um impacto do movimento #MeToo.

Além disso, ambas as revistas lembram que esses novos ativistas abraçam suas causas longe dos partidos ou dos sindicatos. “Ao contrário dos clichês, os jovens não são desconectados da política. Eles apenas são politizados de outra maneira, fora do âmbito institucional da política”, explica a socióloga Anne Muxel à revista Aujourd’hui en France Week-End.

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