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Nova Zelândia Atentado Mesquita Refugiados

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Refugiado que tentou desarmar atirador fascista na Nova Zelândia é tratado como herói

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O corajoso refugiado afegão Abdul Aziz, que tentou desarmar o atirador fascista Brenton Tarrant. REUTERS/Edgar Su

Subiu para 50 o número de mortos no ataque terrorista de extrema direita da última sexta-feira (15) contra duas mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia. Os neozelandeses estão comovidos com a coragem do refugiado afegão Abdul Aziz, 48 anos, que tentou desarmar o atirador Brenton Tarrant e evitou uma tragédia ainda maior.


A história de Abdul Aziz, um pai de família afegão que hoje tem a nacionalidade australiana, corre o mundo neste domingo (17). Durante o tiroteio na mesquita de Linwood, onde sete fiéis foram assassinados em Christchurch, ele colocou o atirador para correr, enfrentando o supremacista branco com uma coragem admirável.

O refugiado conta que estava com quatro filhos dentro da mesquita quando ouviu o ruído de disparos do lado de fora do templo. Sem pensar duas vezes, Aziz disse que pegou a primeira coisa que viu pela frente – uma máquina de cartão bancário – e foi para a rua. Foi, então, que ele se viu diante de um homem armado, vestido com roupa de camuflagem militar. Aziz lançou a máquina de cartão de crédito na direção do atirador. Na sequência, correu para se esconder entre os carros estacionados no local.

De acordo com seu relato, o extremista de direita lançou uma rajada de fuzil na sua direção. Nesse momento, Aziz ouviu os gritos de um de seus filhos, que ficou na mesquita, implorando que voltasse para dentro do templo. Ele ignora o apelo e encontra uma arma caída no chão, abandonada pelo atirador. Aziz pega a arma, sem munição, e grita várias vezes: "vem cá". Sua intenção, naquele momento, era distrair o extremista para que ele não atirasse em seus filhos ou em outros fiéis.

"Ele ficou meio assustado"

"Quando ele viu a arma na minha mão, não sei o que aconteceu. Ele baixou a dele e entrou em seu carro. Eu ainda lancei a arma que tinha recuperado para quebrar a janela do veículo e vi que ele estava um pouco assustado", relata o pai de família. Aziz conta que continuou a correr atrás do carro do atirador. Mas ele conseguiu fugir e só foi preso pela polícia pouco tempo depois.

O refugiado ainda enfrenta outra cena de perigo quando a polícia chega à mesquita e o vê com uma arma na mão. Os policiais impedem seu retorno à mesquita. "Durante muito tempo, não sabia se meus filhos estavam vivos, mortos ou feridos", recorda. Depois, ele descobre que todos os seus filhos sobreviveram ao ataque. "Quando fecho os olhos, ainda vejo corpos por toda parte", disse o homem, que perdeu amigos próximos no tiroteio.

Aziz chegou à Austrália ainda criança. Ele morou em Sydney durante quase 30 anos, antes de se estabelecer em Christchurch, dois anos e meio atrás. Ele diz estar impressionado com o apoio recebido desde o ataque: "Quando cheguei em casa ontem à noite, minha esposa me disse que todos os vizinhos tinham enviado flores, cartões, comida, bolos", diz ele, tocado por "esse amor e respeito".

Facebook bloqueia vídeos do massacre

A rede social Facebook informou hoje ter excluído através do mundo cerca de 1,5 milhão de vídeos compartilhados com imagens do massacre nas duas mesquitas de Christchurch.

A primera-ministra Jacinda Ardern revelou hoje que recebeu o manifesto neofacista do atirador nove minutos antes dele passar à ação. A mensagem não indicava o local onde o extremista de direita planejava agir.