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Irã acusa EUA de “colonialismo” após decisão de reconhecer anexação israelense de Golã

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Ao lado de Netanyahu, Trump reconheceu Colinas do Golã como parte de Israel. REUTERS/Ammar Awad

O presidente iraniano, Hassan Rohani, acusou nesta terça-feira (26) o chefe de Estado americano, Donald Trump, de "colonialismo" depois da decisão de validar a anexação israelense das colinas de Golã. Trump reconheceu "formalmente" na segunda-feira (25), em Washington, a soberania de Israel sobre este território sírio, na presença do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.


"Em um certo período da história, na época do colonialismo, algumas potências fizeram coisas deste tipo e atribuíram partes de um país a outro (...), mas isto não tem precedentes em nosso século", declarou Rohani, cujo país é um aliado do presidente sírio, Bashar al-Assad. 

"Ninguém pensava que um homem viria da América e entregaria, de forma unilateral e contra todas as leis e regras internacionais, uma terra de um país a seu agressor", completou, durante uma reunião com ministros e assessores. Israel conquistou grande parte do Golã sírio (1.200 quilômetros quadrados) durante a Guerra dos Seis Dias em 1967 e anexou a área em 1981, mas a ação nunca foi reconhecida pela ONU.

Reações dos países árabes

A Arábia Saudita também criticou a decisão de Donald Trump, afirmando que isto constitui uma violação do direito internacional, segundo informou a agência oficial de notícias SPA. "A Arábia Saudita expressou sua firme rejeição e condenação à declaração da administração americana", afirma o comunicado.

"Golã continua sendo uma terra árabe síria ocupada e reconhecê-la como israelense é uma violação da Carta das Nações Unidas", continua o documento. A decisão "terá efeitos negativos no processo de paz no Oriente Médio, assim como na segurança e estabilidade da região", destaca a nota oficial.

Na Síria, diversas manifestações ocorreram nesta terça-feira contra o reconhecimento da soberania israelense em Golã pelos EUA. Damasco já havia denunciado “um violento ataque contra a integridade territorial” da Síria.

Os manifestantes saíram às ruas de Homs, no centro do país, além de Qamichli e Hassaké (nordeste), Aleppo (norte), Deir Ezzor (leste) e na capital Damasco. “Golã pertence aos árabes e aos sírios, quer queiram ou não”, afirmou à AFP Mohammad Shaaban, um dos participantes dos protestos. Em uma declaração lida diante do Palácio da Justiça, um representante da Ordem dos Advogados Sírios declarou que o governo americano “se tornou o principal inimigo dos árabes”.