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Escalada de violência na região de Gaza esquenta campanha eleitoral em Israel

A duas semanas das eleições em Israel, uma nova escalada de violência entre isralenses e palestinos esquenta a região e a campanha eleitoral. Os ataques aéreos mútuos continuam a causar destruição dos dois lados. Um palestino morreu nos ataques.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Durante toda a madrugada desta quarta-feira (27), as hostilidades mútuas continuaram, com ataques aéreos de palestinos dos grupos Hamas e Jihad Islâmica contra solo israelense e reações pesadas da Força Aérea israelense contra Gaza. Há esforços para a obtenção de um cessar-fogo com mediação do Egito, mas até agora sem sucesso.

Já houve um anúncio de trégua, na noite de segunda-feira (25), mas ela não vingou. Durante toda a madrugada desta quarta-feira, sirenes soaram em diversas cidades do sul de Israel, levando centenas de milhares de pessoas a abrigos antiaéreos por causa de foguetes palestinos lançados contra centros urbanos.

Na Faixa de Gaza, dezenas de milhares de palestinos também tiveram que se esconder de ataques aéros israelenses contra bases do Hamas e da Jihad Islâmica, localizadas muitas vezes nos centros de cidades.

Dos dois lados, foi registrada destruição e danos materiais. Na manhã desta quarta-feira, as autoridades palestinas anunciaram que um jovem de 17 anos morreu nos bombardeios israelenses, na Cisjordânia ocupada.

Nas últimas horas, há uma certa calmaria, mas isso pode mudar a qualquer momento.

Violências tiveram início na segunda-feira

Um ataque surpresa às 5h20 da manhã (meia-noite e 20, no horário de Brasília) de segunda-feira com um foguete de longo alcance lançado de Rafah, na fronteira de Gaza com o Egito, atingiu uma casa em um "moshav" (um pequena comunidade), ao norte de Tel Aviv.

O foguete viajou 120 km e atingiu uma região residencial que nunca tinha sido atacada dessa forma. Alertados pelas sirenes que soaram por toda a região, uma família correu para o “quarto protegido” da casa, espécie de cômodo com paredes reforçadas e janelas de aço. Os sete membros da família, entre eles três crianças tiveram ferimentos leves, com excessão da avó de 59 anos, que foi ferida mais gravemente por estilhaços.

O grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza há 12 anos, negou ter feito o disparo de propósito, afirmando que se tratou de um “engano”. Mas, em Israel, ninguém acreditou na justificativa e a reação do exército israelense foi atacar bases de grupos islâmicos em Gaza, alimentando o ciclo de violência.

O Hamas também já havia alegado “engano” no dia 14 de março, quando dois foguetes foram disparados contra Tel Aviv e, por sorte, explodiram no ar sem causar danos.

Situação dramática em Gaza

O Hamas está sob pressão depois de 12 anos no poder com mão de ferro em Gaza. A situação no enclave onde vivem dois milhões de pessoas é terrível. O desemprego supera os 60%. Não há energia elétrica a maioria do tempo. O esgoto corre a céu aberto em muitas partes e falta água potável.

Os moradores de Gaza começam a sair às ruas da região numa espécie de “Primavera Árabe” tardia, exigindo melhorias. O Hamas culpa Israel, afirmando que o bloqueio imposto por Tel Aviv é o que levou a essa situação.

Israel e Egito fecharam as fronteiras com a Faixa de Gaza em 2007, quando o Hamas tomou o poder depois de um golpe. Desde então, Gaza está praticamente isolada.

Na medida em que esses protestos internos aumentam, o Hamas e outros grupos islâmicos canalizam a frustração contra Israel, incentivando protestos na fronteira e o lançamento de foguetes, além também de balões e pipas com explosivos.

Forte resposta de Israel

Israel reagiu de forma intensa contra os palestinos por dois motivos. Primeiro porque o ataque inicial do Hamas foi contra uma região que nunca havia sido alcançada, levando pânico a uma grande parte da população israelense que não se sentia ameaçada até agora.

Segundo porque Israel realiza suas eleições legislativas em duas semanas. A votação definirá o próximo primeiro-ministro depois de 10 anos de poder do atual premiê, Benjamin Netanyahu.

Pressionado por um possível indiciamento em três casos de corrupção e pelas pesquisas eleitorais, que mostram vitória de um partido rival, Netanyahu precisa mostrar aos israelenses que pode defender seus cidadãos. Assim, o premiê voltou mais cedo de uma visita que fazia a Washington, para lidar com a situação na fronteira do Gaza e se reunir com a cúpula de segurança do país.

Nos Estados Unidos, Netanyahu recebeu uma espécie de “presente eleitoral” do presidente americano Donald Trump, que o apoia claramente. O líder republicano fez uma declaração formal de reconhecimento da soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, uma região estartégica ocupada por Israel da Síria há 50 anos. Mas, apesar desse apoio, Netanyahu ainda está em segundo lugar nas pesquisas eleitorais.

A visita do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, a Israel, no próximo domingo (31), talvez possa contribuir com a campanha de Netanyahu, caso anuncie a tranferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

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