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Netanyahu caminha para 5° mandato em Israel com apoio de nacionalistas e ultraortodoxos

Por RFI

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, 69 anos, conseguiu mais uma reeleição e sai reforçado para um próximo mandato das eleições legislativas realizadas nessa terça-feira (9). Ao que tudo indica, Netanyahu será reconduzido ao cargo de primeiro-ministro de Israel pela quinta vez, depois de dez anos consecutivos no poder (13, contando o mandato de 1996 a 1999), apesar da possibilidade de ser indiciado a qualquer momento pelo Procurador-Geral de Justiça, Avichai Mandelblit, em três casos de corrupção.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Os resultados oficiais completos só devem sair nesta quinta-feira (10), mas os votos de cerca de 98% dos eleitores em 10.700 urnas espalhadas pelo país já foram contados. Eles apontam para um empate entre o partido de Netanyahu, o direitista Likud, e o partido centrista Azul e Branco, do ex-chefe das Forças Armadas Benny Gantz. Ambos conquistaram, cada um, 35 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento em Jerusalém.

Mas a apuração indica que o bloco de partidos de direita conseguiu receber mais votos (65) do que o de partidos de centro e de esquerda (55), o que favorece Netanyahu. O Likud aumentou sua bancada de 30 para 35 parlamentares, mas a vitória ficou clara por causa da quantidade de votos que a direita recebeu.

Segundo analistas, os eleitores de direita identificaram o Azul e Branco como uma ameaça real a um governo direita e decidiram votar no Likud, transferindo seus votos de partidos ainda mais à direta. Alguns deles perderam tantos votos que não conseguiram se reeleger. Esse foi o caso do atual ministro da Educação, Naftali Bennet, e da ministra da Justiça, Ayelet Shaked, do partido Nova Direita. Ambos perderam tanto apoio que não estarão no próximo Parlamento.

Os eleitores de direita também ignoraram a questão do indiciamento, que alegam ser apenas “perseguição política” contra Netanyahu.

Veterano em campanhas eleitorais, Netanyahu passou os últimos dias antes da votação demonstrando “pânico” de perder pelas redes sociais. Ele foi criticado por seus aliados de direita, mas conseguiu o que queria: vencer o pleito e até mesmo aumentar sua bancada, mesmo que o bloco de direita tenha se mantido do mesmo tamanho.

Ontem, ambos os candidatos declararam vitória após os resultados das pesquisa de boca de urna. Em duas das três grandes sondagens, o partido de Gantz venceu com 37 cadeiras contra 33 a 36 do Likud. Na outra, os dois partidos empataram com 36 cadeiras.

“É um dia histórico em Israel”, afirmou Benny Gantz

Porém, horas depois, foi a vez de Natanyahu anunciar vitória: “Esta é uma conquista inconcebível. É uma noite de tremenda vitória”.

Agora, cabe ao presidente de Israel, Reuven “Ruvy” Rivlin, convocar os líderes dos partidos que conseguiram receber cadeiras no Parlamento. Um a um, esses líderes vão indicar quem gostariam de ver como próximo premiê.

A partir dessas indicações, o presidente vai chamar esse líder e dar um prazo de 60 dias para ele costurar uma coalizão com pelo menos 61 cadeiras. Caso mais partidos indiquem Netanyahu, é ele quem terá a chance, primeiro, de formar o próximo governo. E isso é o que deve acontecer.

Segundo dados da Central Eleitoral de Israel, pouco menos de 68% dos 6,3 milhões de eleitores israelenses foram às urnas, percentual menor do que em 2015, que chegou a 71,8%. A menor participação pode ter sido influenciada pelo tempo ensolarado, que levou centenas de milhares de famílias a aproveitar o feriado nacional para passear, fazer piqueniques ou ir à praia.

Participação: desinteresse ou boicote?

O desinteresse dos eleitores pode ter base no fato de que poucos acreditam que haverá uma mudança profunda no país após a votação. A queda do percentual, no entanto, pode ter como fonte apenas a minoria árabe-israelense (20% da população), que compareceu em menor número às urnas.

Um dos motivos pode ter sido a divisão da Lista Árabe Unida, segunda bancada do Parlamento hoje, em dois partidos menores e menos influentes. Ou a desilusão desses cidadãos com o país depois da aprovação da chamada Lei da Nacionalidade, em maio do ano passado, que definiu Israel como Estado dos Judeus, mesmo mantendo todos os direitos das minorias.

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