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Índia Eleições

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Índia: 900 milhões de eleitores vão às urnas para escolher novo governo

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Três mulheres votam na Índia, nesta quinta-feira (11). REUTERS/Adnan Abidi

As eleições legislativas indianas começam nesta quinta-feira (11) e duram quase seis semanas. Depois de cinco anos de governo do primeiro-ministro Narendra Modi, 900 milhões de eleitores estão aptos a votar para determinar o futuro da maior democracia do mundo. A contagem começará no dia 23 de maio e os resultados serão conhecidos no mesmo dia.


Os eleitores indianos vão às urnas de 11 a 19 de maio para renovar a câmara baixa ("Lok Sabha") do parlamento. Bicameral, o poder legislativo indiano consiste de uma câmara alta ("Rajya Sabha" ou a câmara de estados federais) e uma câmara baixa ("Lok Sabha" ou a Casa dos Povos). Os 250 membros da câmara alta são eleitos indiretamente para um mandato de seis anos. Os deputados da câmara baixa vão ser escolhidos por voto direto para um mandato de cinco anos.

A respeitada Comissão Nacional Eleitoral é responsável pelo bom andamento da votação. Devido ao desafio logístico de organizar eleições em um país cinco vezes maior que a França e quase vinte vezes mais populoso, a comissão optou por escalonar a votação ao longo de várias semanas.

Mapa da Índia: 29 estados e 7 territórios. RFI

Primeira votação durou três meses

O pleito legislativo de 1951-52, o primeiro da história da democracia indiana, durou três meses. A preocupação das autoridades em proteger os locais de votação com mobilização das forças de segurança do governo federal, consideradas mais confiáveis ​​do que a polícia local, explica também porque eleições gerais ocorrem ao longo de várias semanas.

Os desafios são econômicos e políticos. O pleito de 2019 traz duas visões diferentes da Índia. Há os nacionalistas religiosos do BJP, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que está buscando um segundo mandato para si e seus próximos. A oposição é feita pelo Partido do Congresso, da família Nehru-Ghandi, de tendência socialista, que defende a pluralidade e o secularismo.

Crescimento e nacionalismo

Figura forte e defensor do nacionalismo, o atual primeiro-ministro Narendra Modi chegou ao poder prometendo desenvolvimento econômico e enaltecendo a identidade hindu na Índia. Sob sua liderança, a sociedade indiana viu a banalização de um discurso etno-religioso, baseado na ideologia da supremacia hindu, que seus opositores consideram como um perigo para a diversidade indiana.

Mas o desempenho econômico do governo provavelmente será o calcanhar de Aquiles e o principal obstáculo à reeleição de Modi. Apesar do forte crescimento durante os dois primeiros anos de mandato, a economia indiana tem sofrido bastante com o fiasco da "desmonetização", que foi a retirada abrupta em 2016 de 90% das cédulas em circulação, com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro.

A escassez de moeda criou dificuldades econômicas severas para grande parte da população e causou desaceleração da atividade, dizem os especialistas. A introdução caótica de um imposto nacional sobre mercadorias, para substituir a multiplicidade de taxas locais, também contribuiu para resfriar o crescimento, que ficou estagnado em 6,7%, insuficiente para gerar empregos para os milhões de jovens que chegam todos os meses ao mercado de trabalho.
A frustração dos desempregados ganhou nos últimos meses a companhia da insatisfação dos agricultores, irritados com a paralisia dos preços de seus produtos e dos custos crescentes de fertilizantes e sementes.

O parlamento indiano, em Nova Délhi. AFP/Prakash Singh

Opositor é da dinastia Nehru-Gandhi

O principal adversário do premiê é Rahul Gandhi, herdeiro da dinastia Nehru-Gandhi, cuja trajetória se confunde com a história contemporânea da Índia e do Partido do Congresso, que levou o país à independência em 1947 e governou por mais de cinco décadas.

O Partido do Congresso foi derrotado nas históricas eleições legislativas de 2014, que foram vencidas com esmagadora maioria pelo BJP, liderado pelo então desconhecido Narendra Modi. A partir de então, o partido da família Nehru-Gandhi se tornou um feroz opositor dos hindus. Primeiro, sob Sonia Gandhi, e, depois, sob a liderança de seu filho Rahul, presidente da sigla desde  2017.

Despertar político do herdeiro

Criticado durante muito tempo por sua falta de carisma, o bisneto de Jawaharlal Nehru e neto de Indira Gandhi conseguiu finalmente se impor nos últimos meses como um adversário sério de Modi. Nas eleições regionais de 2018, o herdeiro conseguiu amealhar para o seu partido o controle de vários estados importantes do norte da Índia, bastião do BJP.

O presidente do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, em comício. REUTERS/Amit Dave

Gandhi também conseguiu atrapalhar a imagem do primeiro-ministro ao lançar a controvérsia sobre a compra de 36 aviões Rafale da França, em setembro de 2016, a um preço bem acima do que tinha sido negociado sob a gestão do Partido do Congresso, na década de 2000.

Mais recentemente, ele apresentou um programa eleitoral centrado na luta contra a pobreza e melhoria da qualidade de vida das famílias mais pobres. James Manor, professor de política indiana na Universidade de West London, em entrevista à RFI, lembra que essas promessas pegaram o BJP de surpresa, que passou a fazer novas promessas. “O Partido do Congresso pode ganhar votos com essas iniciativas”, diz Manor.   

O especialista cita ainda um fracassado programa prometido pelo governo Modi para ajudar os agricultores, com importantes subsídios. “Isso aumentou a popularidade do BJP, que no entanto não concretizou essa e muitas outras, principalmente a de criar empregos”, diz Manor.

Além de Rahul Gandhi, líderes regionais como Chandrababu Naidu, ministro-chefe do estado de Andhra Pradesh; Mamata Banerjee, ministro-chefe de Bengala; ou Akhilesh Yadav, o carismático líder do Partido Samajwadi, do estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, estão entre as influentes figuras políticas que estão hoje no caminho de Modi.

No caso de um parlamento sem maioria absoluta, após a contagem dos resultados dos votos, marcada para 23 de maio, esses líderes regionais poderiam se aliar ao Partido do Congresso para formar o próximo governo.