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Eleição presidencial Indonésia Vitória

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Primeiras estimativas apontam reeleição do atual presidente da Indonésia

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O presidente da Indonésia Joko Widodo durante a campanha eleitoral. REUTERS / Willy Kurniawan

Mais de 190 milhões de eleitores votaram nesta quarta-feira (17) na Indonésia para escolher o novo presidente. Essas foram as maiores eleições já realizadas no quarto país mais populoso do mundo. Dois candidatos estavam na disputa: o atual presidente, Joko Widodo, e o general da reserva Prabowo Subianto. As primeiras estimativas apontam a reeleição folgada de Widodo.


A votação já foi encerrada. A eleição desta quarta-feira repetiu exatamente a mesma disputa de 5 anos atrás, lembra o correspondente da RFI em Jacarta, Joël Bronner. Em 2014, Joko Widodo derrotou Prabowo Subianto com 53% dos votos.

Os dois candidatos não representam a mesma classe social. O atual presidente, apelidado de “Jokowi”, representa uma corrente neoliberal. Ele tem a imagem de um homem simples e próximo do povo. Sua popularidade também é assegurada pelos projetos de infraestrutura que lançou nas zonas rurais e por sua política de redução das desigualdades sociais.

Nacionalismo

Seu adversário, Prabowo Subianto, além de ser ex-general, também é genro do ex-presidente indonésio Suharto, que dirigiu o país com mão de ferro durante 30 anos. Suharto só deixou o poder no final dos anos 1990. Esta é a terceira vez que o militar disputa a presidência da Indonésia. Seu discurso político é baseado em um nacionalismo exacerbado.

Prabowo é acusado de crimes de guerra no Timor Leste, quando dirigiu as forças especiais na ilha. Ele também tentou um golpe contra o sucessor de Suharto, em 1998. O ex-general não hesita em, por exemplo, em acusar o atual presidente Joko Widodo de aceitar dinheiro da China para financiar projetos de infraestrutura na Indonésia.

Jovens e islã determinantes na eleição

Os jovens que nasceram em torno do ano 2000 e que votaram pela primeira vez foram determinantes nessas eleições. Eles representam 30% do eleitorado.

A religião foi outro fator determinante. A Indonésia tem a maior população muçulmana do planeta, isto é, 90% dos 265 milhões de indonésios são muçulmanos. O peso dos religiosos radicais não para de aumentar nos últimos anos no país arquipélago formado por mais de 17 mil ilhas. Há dois anos, os islamitas tiveram uma grande vitória. Após grandes manifestações em Jacarta, eles conseguiram derrubar o ex-governador da capital, o cristão Ahok, que foi preso por blasfêmia.

Nesse contexto, o atual presidente escolheu um muçulmano ultraconservador para ser seu vice. A escolha tem o objetivo de proteger Joko Widodo dos ataques de seus adversários contra seu suposto desinteresse religioso. A estratégia parece ter dado certo. Ela limitou os debates sobre o islã durante a campanha.

Segundo estimativas de institutos de pesquisas, que se baseiam na apuração oficial de 75% das cédulas, o atual presidente têm 55,7% dos votos contra 44,3% para Prabowo Subianto. O resultado final deve ser divulgado ainda nesta quarta-feira.