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Grupo Bric se transformou em um “fantasma constitucional”

Por Alfredo Valladão

De tanto glosar sobre o tema dos “países emergentes”, ninguém entende muito bem o que ainda significa. Verdade seja dita, os “Emergentes” praticamente desapareceram do mapa. Em 2001, quando o banco Goldman Sachs inventou os “BRIC”, tratava-se simplesmente de uma categoria de investimentos.

O crescimento econômico do Brasil, Rússia, Índia e China parecia bem mais dinâmico do que o dos velhos países industrializados. Investir nos emergentes era uma boa aposta para aumentar o rendimento dos grandes portfólios internacionais.

Mas o poder do sistema financeiro é tão grande que os políticos acreditaram que podiam transformar uma estratégia de aplicações em realidade institucional. Países “em desenvolvimento” viraram “emergentes”. Só que desta vez, eles iam chegar lá, na terra prometida das economias “desenvolvidas”.

Na Ásia, na África e na América Latina, foram muitos os governos que começaram a sonhar com essa categoria tão prestigiosa. Alguns países, mais esforçados, até foram rotulados de “em vias de emergência”, “jaguares”, “bebé tigres” ou outros “novos países industrializados”.

A esperança dos inversores era que o dito “Sul Global” ia bombar a ponto de acabar desbancando o declinante desempenho do “Norte”. Muitos falavam até de um “desacoplamento” histórico entre o velho e cansado Atlântico Norte, e as vigorosas e jovens economias do “Sul”. Só que não foi bem assim. Na última década, quem não vendeu o seu portfólio “emergente”, perdeu muito dinheiro.

Dependência dos países desenvolvidos

Os BRIC – que também convidaram a África do Sul – se transformaram num fantasma institucional, sem a mínima visão comum ou até capacidade de atuar em conjunto para influenciar a marcha do planeta.

A China não parou, mas avança cada vez mais devagar, criando problemas internos que Pequim tenta conter angustiado. A Índia cresce, mas não bastante para satisfazer a sua enorme população. A Rússia parece mais um país subdesenvolvido tradicional, vivendo de exportação de matérias primas e armamentos.

Brasil e África do Sul simplesmente despencaram. Alguns dos famosos “em vias de emergência” conseguiram conquistar alguns “nichos” industriais nas cadeias de valor das grandes empresas globais (quase todas situadas no velho Norte).

O México ou a América Central entraram nos poucos circuitos norte-americanos. O Marrocos, a Turquia, o Senegal, a Etiópia ou o Quênia se conectaram a alguns processos industriais europeus. Na Ásia, o Bangladesh, o Vietnã, a Malásia e alguns outros também sobrevivem com pedaços de cadeias produtivas, japonesas, chinesas ou americanas. Mas todos dependem das exportações para os mercados “desenvolvidos”.

Novo fenômeno: "re-localização"

Vinte anos depois do achado do Goldman Sachs, os “emergentes” e os outros que sonham em “emergir”, continuam muito longe de poder descolar das economias do Norte. Aqueles que já se viam os futuros donos da bola, ainda estão amargando o banco dos reservas. A ambiguidade vem do próprio termo “emergente”.

Emergir para onde? A ideia era que esses novos polos econômicos iam se transformar em sociedades industrializadas, como aconteceu com os Estados Unidos, a Europa, o Japão ou a Coréia do Sul durante o século XX. O problema é que a revolução tecnológica e a globalização da produção e dos serviços criaram uma nova realidade.

Os modelos industriais tradicionais, sejam eles nacionais ou transnacionais, estão sendo ultrapassados por uma nova economia dominante, baseada na inovação permanente e nos serviços “embutidos” nos bens físicos. Uma dinâmica praticamente monopolizada por polos de excelência quase todos situados nos Estados Unidos e na Europa.

O fenômeno mais recente é a “re-localização” das grandes empresas voltando para os seus mercados de origem, deixando para os emergentes só as migalhas das cadeias produtivas globais, cada vez menos rentáveis.

Hoje, o perigo é que se um dia houver “desacoplamento”, ele será do Norte com relação ao Sul. Um Norte que vai precisar cada vez menos dos mercados emergentes para manter a sua própria prosperidade. Até o Goldman Sachs já revisitou os seus conselhos de investimento.

 

 

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