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Coreia do Norte Kim Jong-Un Míssil

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Com novo lançamento de mísseis, Kim Jong-Un quer mandar recado aos EUA

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Televisão em Tóquio exibe imagem do líder norte-coreano Kim Jong-Un neste sábado (4). REUTERS/Kim Kyung-Hoon

A Coreia do Norte testou neste sábado (4) mísseis de curta distância, lançados em direção ao Mar do Japão. O último lançamento de projéteis norte-coreanos datava de novembro de 2017. Mas com o acirramento da tensão entre Washington e Pyongyang, especialistas acreditam que o líder Kim Jong-Un quer mandar um recado aos Estados Unidos.


Segundo as Forças Armadas da Coreia do Norte, "vários mísseis não identificados de curto alcance" foram lançados da cidade norte-coreana Wonsan em direção ao Mar do Japão às 09h06 de sábado (21h06 de sexta-feira, pelo horário de Brasília). Os projéteis percorerram entre 70 e 200 quilômetros, mas não teriam caído em território japonês.

Os disparos ocorrem um dia depois que a ministra da Relações Exteriores da Coreia do Sul, Kang Kyung-wha, afirmou que Pyongyang deveria mostrar uma eliminação "visível, concreta e substancial" de suas armas nucleares para obter a suspensão das sanções americanas contra o país. No início da semana, o vice-chanceler da Coreia do Norte, Choe Son Hui, já havia alertado Washington sobre as "consequências inesperadas" caso não modifique sua posição em relação às medidas que abalam a economia norte-coreana.

Novo ciclo de tensão

"Kim Jong-Un decidiu lembrar ao mundo inteiro - e particularmente aos Estados Unidos - que a capacidade armamentista da Coreia do Norte aumenta a cada dia", afirma Harry J. Kazianis, diretor de estudos coreanos no Centro para o Interesse Nacional, em Washington. 

Kazianis teme que a iniciativa norte-coreana desencadeie um novo capítulo de troca de agressões entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. "Meu medo é que isso seja o começo de um retorno ao tempo de ameaças de guerra nuclear e insultos pessoais:  um ciclo de tensão que precisa ser evitado a qualquer custo", reitera. 

Já para o analista norte-coreano Ankit Panda, os tiros deste sábado "não violam a moratória de testes adotada por Kim Jong-Un", que se refere apenas a mísseis "balísticos intercontinentais". "Historicamente, a Coreia do Norte não realiza testes [de armas] quando há negociações com os Estados Unidos, mas neste momento não há negociações", avalia.

A demonstração de força acontece a poucos dias da visita do representante especial americano Stephen Biegun à Coreia do Sul e Japão. Segundo o governo americano, Biegun tratará com Seul e Tóquio sobre "esforços para progredir em direção a uma desnuclearização completa e integralmente controlada da Coreia do Norte". 

EUA e Coreia do Sul em alerta

A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, informou que os Estados Unidos "estão conscientes das ações da Coreia do Norte desta noite e continuaremos monitorando, de acordo com o necessário". Já a presidência sul-coreana expressou sua preocupação e indicou que está acompanhando a situação e "compartilhando todas as informações com os Estados Unidos".

"Pedimos que a Coreia do Norte participe ativamente dos esforços visando uma retomada rápida dos diálogos", afirmou Seul, por meio de um comunicado. 

O Ministério japonês da Defesa informou que "não há confirmação" de que mísseis tenham ingressado em seu território. "Até este momento, não há qualquer confirmação de situação que possa impactar nossa segurança nacional", destacou o ministério em Tóquio.

Os Estados Unidos e a Coreia do Norte voltaram a elevar o tom após o fracasso da reunião entre Donald Trump e Kim Jong-Un, em fevereiro, no Vietnã. Os diálogos foram suspensos entre os dois países diante da insistência de Pyongyang sobre o fim das sanções. Também não houve consenso entre as duas partes sobre as medidas que a Coreia do Norte deveria adotar em prol da desnuclearização.

Desde o colapso da última reunião entre Trump e Kim, no Vietnã, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, tem buscado manter abertos os canais diplomáticos, mas Pyongyang parece não oferecer uma resposta, devido principalmente à proximidade entre Seul e Washington. Há uma semana, a imprensa estatal norte-coreana afirmou que os dois países estão "forçando a situação na Península Coreana e em toda região para uma fase indesejável".