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Irã Estados Unidos Programa Nuclear Conflito

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Irã poderá retomar parte de seu programa nuclear, diz imprensa no país

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O porta-aviões Abraham Lincoln em trânsito no estreito de Gibraltar (Foto: Reuters)

O país estaria pretendendo retomar algumas das atividades interrompidas desde a assinatura do acordo nuclear em 2015 com as potências ocidentais.


A informação foi divulgada pela agência de imprensa iraniana IRIB, que cita uma fonte próxima de uma comissão oficial encarregada da supervisão do acordo, cujo objetivo era evitar que o governo obtivesse a arma atômica e limitar o uso da energia atômica a fins pacíficos. Outro órgão de imprensa, a agência Isna, afirmou que o Irã esperava anunciar nesta quarta-feira (8) medidas em represália à retirada americana, em 2018, do compromisso assinado entre as potências e o governo iraniano.

O anúncio acontece em um contexto tenso entre os EUA e o Irã: o conselheiro de segurança de Donald Trump, John Bolton, anunciou neste domingo (5) que os Estados Unidos vão enviar um porta-aviões e um grupo aeronaval para o Oriente Médio. Uma demonstração de força que visa mostrar ao Irã que ataques ou medidas contrárias aos interesses de Washington ou de seus aliados serão potencialmente sancionados.

"As forças iranianas constataram a entrada no Mediterrâneo do porta-aviões e grupo naval USS Abraham Lincoln há 21 dias", afirmou Keyvan Khosravi, porta-voz do Conselho Supremo de Segurança Nacional, citado pela agência Tasnim. "A declaração de Bolton utiliza uma notícia antiga para alimentar uma guerra psicológica", declarou. "Bolton não tem discernimento em relação a questões militares e de segurança e seus comentários servem principalmente para chamar a atenção para ele próprio", declarou.

A decisão do governo americano pode piorar a já abalada situação entre os dois países. “Os Estados Unidos não estão buscando a guerra com o regime iraniano, mas estamos totalmente preparados para responder a qualquer ataque, seja orquestrado pelos Guardiães da Revolução, seja pelas forças iranianas”, declarou Bolton.

Ameaça imprecisa

O conselheiro de segurança do presidente Donald Trump não deu maiores precisões sobre as ameaças de Teerã contra os Estados Unidos. Questionado pela imprensa, o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, também se recusou a entrar em detalhes, mas negou qualquer relação com a questão envolvendo grupos armados palestinos em Gaza, que teriam tido o "aval" do Irã para lançar foguetes contra Israel.

Recentemente, o presidente americano incluiu os Guardiães da Revolução em sua lista de organizações terroristas e reforçou as sanções para diminuir as exportações de petróleo iraniano.

Especialistas americanos acreditam que o envio do porta-aviões é uma manobra de rotina. O conselheiro de Trump quer apenas justificar a dura política do governo americano em relação ao Irã, apesar do país continuar a respeitar o acordo nuclear. Os Estados Unidos se retiraram do acordo no ano passado e foram duramente criticados pela comunidade internacional.