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Rohingyas Mianmar Crime

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ONU pede fim de apoio financeiro ao exército de Mianmar para resolver crise dos rohingyas

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Militares da guarda da fronteira de Miamar na entrada do acampamento Nga Khu Ya em Maungdaw, estado de Rakhine. AFP

A missão da ONU sobre Mianmar fez um apelo nesta terça-feira (14) para que a comunidade internacional corte todo o apoio financeiro ao exército birmanês. Segundo os especialistas, os militares do país devem ser isolados financeiramente e seus crimes de guerra contra a minoria muçulmana rohingya devem ser julgados urgentemente.


"Nenhum avanço foi realizado para solucionar a crise", afirmou o chefe da missão da ONU em Mianmar, Marzuki Darusman. Junto a uma equipe de investigadores, ele realizou recentemente uma visita de dez dias aos países vizinhos de Mianmar - Bangladesh, Malásia, Tailândia e Indonésia - para onde milhares de rohingyas fugiram. Segundo Darusman, medidas drásticas são necessárias para resolver a situação catastrófica da minoria.

Cerca de 740 mil rohingyas se refugiaram Bangladesh em agosto de 2017, depois da intensa repressão militar que deixou ao menos 6.700 mortos. Desde então, milhares de refugiados testemunham chacinas e estupros em massa em cidades de Mianmar. 

No entanto, um relatório publicado em setembro de 2018 pela missão da ONU apontou que não havia provas suficientes para apontar genocídio no país. "Depois das violências, as autoridades birmanesas varreram as cidades rohingyas para destruir todas as provas de crimes", afirma o documento.

Governo birmanês não se mobiliza para resolver crise dos rohingyas

Na visita da missão da ONU aos países vizinhos de Mianmar, também foram encontrados representantes de outras comunidades étnicas - Chin, Kachin, Shan e Rakhine - "vítimas de atrocidades similares". Um dos enviados, Christophe Sidoti, afirmou que os investigadores não veem até hoje "nenhum sinal do governo birmanês para resolver a crise e facilitar o retorno dos refugiados ao país".

Para ele, "a situação exige um aumento da pressão internacional". "Considerando a gravidade dos crimes passados e atuais, é preciso mirar nas relações políticas e financeiras do exército brimanês, com o objetivo de identificar de que forma é possível bloquear o apoio que recebem e reduzir as violências", afirma.

A missão da ONU deve entregar em setembro o relatório final sobre as violências contra a minoria rohingya ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra. As conclusões dos especialistas serão analisadas antes do início de um processo criminal.