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Tensão entre Israel e Palestina impacta Eurovision deste ano

Por RFI

Apesar do clima de festa em Tel Aviv, cidade israelense que receberá o Eurovision neste sábado (18), a organização do tradicional concurso europeu da música precisa lidar com a tensão existente nesta região do Oriente Médio. A cantora Madonna confirmou presença no evento, enquanto palestinos decidiram criar um show concorrente, o “Globalvision”

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Um dia antes da final do maior concurso de música do mundo, com 41 países participantes e 200 milhões de espectadores, a empolgação chegou ao ápice em Tel Aviv. O festival da canção, que acontece há 64 anos, foi criado para unir a Europa do pós-guerra, mas inclui também alguns países fora do continente, como Israel e Austrália.

Tel Aviv recebeu milhares de turistas para a semana de apresentações do Eurovision, que já incluíram duas semifinais. A cidade é considerada uma das mais cosmopolitas e tolerantes do Oriente Médio e, justamente por isso, foi preferida para receber o Eurovision e não Jerusalém, que recebeu a competição duas vezes no passado, em 1979 e em 1999.

A polícia deslocou centenas de policiais para Tel Aviv para assegurar a integridade dos participantes e turistas. A cantora americana Madonna confirmou que irá se apresentar na final, que acontece neste sábado. Isso só foi possível depois que o milionário canadense Sylvan Adams financiou o custo da apresentação de 1 milhão de dólares.

Interesse político

A verdade é que o festival é uma boa notícia para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que ainda não conseguiu montar seu novo governo depois das eleições de 9 de abril. O Eurovision é uma maneira de desviar a atenção interna das negociações políticas e das acusações de corrupção contra Netanyahu, que pode ser indiciado em breve em três casos de suborno.

Fora isso, o Eurovision é uma oportunidade para Israel mostrar seus lados mais ameno: a tecnologia, a culinária, os pontos turísticos do país, que, em geral, é notícia só no contexto do conflito com os palestinos.

O Eurovision acontece na semana que os palestinos chamam de Nakba, que marca o dia da criação do Israel, em 15 de maio de 1948, há 71 anos. Durante toda a semana, houve manifestações diárias de palestinos na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel.

Elas marcaram também o aniversário de um ano da transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. No dia 15 de maio de 2018, quando houve a transferência, um protesto gigante na fronteira deixou 60 palestinos mortos depois que muitos tentaram invadir Israel.

Desde então, as manifestações na fronteira são quase diárias, além do lançamento de foguetes, morteiros, pipas e balões incendiários contra Israel. Há duas semanas, os grupos Hamas e Jihad Islâmica Palestina lançaram mais de 700 foguetes contra Israel, matando quatro civis israelenses. Mas ao que tudo indica, Israel e Hamas aceitaram um cessar fogo durante o Eurovision.

Evento alternativo na Palestina

Para se opor ao evento realizado em Tel Aviv, os palestinos vão fazer um show alternativo para atrair a atenção à sua causa. O show será chamado de “Globalvision”, e vai acontecer também no sábado com participação de músicos palestinos e internacionais, como o cantor britânico Brian Eno.

Também foram planejados eventos em Londres, Dublin, em Ramallah, na Cisjordânia, além da cidade israelense de Haifa, que tem população mista árabe e judaica. Fora desse evento, há movimentos que pregam o boicote do Eurovision em Israel, como o BDS (Boicote, desinvestimento e sanções contra Israel).

A ONG israelense “Quebrando o Silêncio”, que é contra a ocupação de regiões reivindicadas pelos palestinos, também se manifestou. Ela pendurou um enorme cartaz em uma das principais avenidas de Tel Aviv ironizando o slogan do Eurovision deste ano: “Ouse sonhar”. O cartaz mostra a praia de Tel Aviv, de um lado, e um posto de controle israelense na Cisjordânia, de outro, com a frase “Ouse sonhar com liberdade”.

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