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China Massacre Violência

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Governo chinês aumenta vigilância para aniversário de 30 anos do massacre de Tiananmen

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Uma das fotos mais famosas do mundo: o homem que sozinho consegue parar uma fila de tanques de guerra perto da praça Tiananmen, no centro de Pequim. Bettmann / Contributeur

Há trinta anos, na noite do dia 3 para o dia 4 de junho de 1989, o exército de liberação reprimia violentamente a "primavera de Pequim". Três décadas depois, ainda reina o silêncio sobre o assunto. A censura está ainda mais forte e o Estado chinês reforçou a vigilância dos antigos membros do movimento.
 


Com o correspondente da RFI em Pequim, Stéphane Lagarde

O massacre da praça Tiananmen, como ficou conhecido, foi marcado pela violenta repressão do Estado chinês que pôs fim a sete semanas de manifestações e greve de fome de estudantes e operários que pediam o fim da corrupção e mais democracia. "Todo mundo achava que eles nunca iam atirar. Era inimaginável. Estávamos em um período de paz", conta You Weijie, de 66 anos, cujo marido foi morto na repressão.

O evento deixou marcas profundas na sociedade chinesa. Agora, os números de telefone terminados em 8-9-6-4 não funcionam mais na China. Eles eram frequentemente escolhidos pelos antigos participantes de Tiananmen como forma de lembrar a data. Eram uma referência ao dia em que tanques de guerra ocuparam a maior praça do mundo. Os números que ainda funcionam, não atendem mais. Linhas de telefone cortadas e mídias sociais sob alta vigilância, este é o clima na China às vésperas das comemorações.

Evento inexistente na internet chinesa

Há vários dias as páginas da Wikipédia sobre Tiananmen estão inacessíveis sem VPN. Curiosamente isso nem está oficialmente relacionado com o acontecimento histórico, já que ele não aparece nos manuais de história do país. Algumas plataformas de streaming e de comentários em tempo real estão em manutenção até 6 ou 7 de junho.

Artistas militantes foram presos em Nankin e um escritor foi detido em Anhui. Os lugares de exposição em Pequim e nas suas periferias são especialmente controlados. Nas universidades, e principalmente na reconhecida faculdade de Beida, de onde surgiu o movimento de trinta anos atrás, os pedidos de entrevistas são adiados para a segunda semana de junho.