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Brasil apoia candidato chinês para substituir Graziano na liderança da FAO

No próximo domingo (23), em Roma, 194 países vão eleger a nova diretoria-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O novo diretor sucederá o brasileiro José Graziano da Silva que, depois de dois mandatos consecutivos, não pode ser reeleito. Brasília já adiantou que votará em Qu Dongyu, vice-ministro da Agricultura e dos Assuntos Agrários da China.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

O próximo diretor da FAO assumirá o cargo por quatro anos, a partir de 1º de agosto de 2019. Três candidatos concorrem à função, cada um nomeado pelo governo de seu próprio país: Qu Dongyu da China; Catherine Geslain-Lanéelle, da França e também apoiada pela Uniao Europeia; e Davit Kirvalidze, da Geórgia.

Todos eles tem formação acadêmica em Agronomia. Segundo fontes da FAO, o chinês e a francesa são os favoritos.

Catherine Geslain-Lanéelle tem 55 anos, é engenheira agrônoma e a primeira mulher a concorrer à liderança da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Ela deixou seu cargo no Ministério da Agricultura da França, para embarcar nesta campanha. A francesa dedicou 30 anos de sua vida profissional a questões de agricultura, alimentação, silvicultura e desenvolvimento rural.

Qu Dongyu tem 56 anos e é vice-ministro da Agricultura e dos Assuntos Agrários da República Popular da China desde 2015. Ele é graduado em Ciências Agrícolas e do Meio Ambiente. Possui também mais de trinta anos de experiência em planejamento, formulação de políticas, cooperação internacional e gerenciamento.

Davit Kirvalidze é atualmente assessor do primeiro-ministro da Geórgia. Anteriormente, foi ministro da Agricultura por dois mandatos em 2000 e 2012. Ele tem doutorado em Ciências Agrárias, também é formado em ciências do solo e agroquímica e já foi representante da Georgia na FAO.

Caso o chinês Qu Dongyu seja eleito, a incógnita é se a FAO vai priorizar práticas sustentáveis na agricultura ou privilegiar o agronegócio.

Chinês tem apoio do do Brasil

O Brasil já declarou o seu apoio ao candidato chinês. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, comunicou ao governo chinês o aval brasileiro ao vice-ministro de Agricultura da China, Qu Dongyu, durante viagem ao país asiático em maio.

Além do apoio brasileiro, a Argentina e o Uruguai revelaram que também votarão no candidato chinês. Lembramos que a China é o mais importante cliente do agronegócio brasileiro. No ano passado, os chineses compraram US$ 35,59 bilhões (R$ 137,56 bilhões) em produtos agrícolas do país, ou 35% do total.

No entanto, a disputa acirrada dos dois candidatos favoritos é pela conquista dos votos de países africanos. Enquanto a França tem ligações históricas com muitas nações da África, a China tem interesses explícitos neste continente, seja na exploração de matérias-primas, como na construção de infraestruturas.

O último Fórum de Cooperação China-África, realizado em Pequim em setembro de 2018, foi uma espécie de rito de consagração da estratégia do presidente Xi Jinping no continente africano. Quase todos os chefes de Estado africanos voaram para a capital chinesa para homenagear o ativismo de Pequim: US$ 60 bilhões prometidos em ajuda, investimentos e empréstimos para os próximos três anos. 

Desafios do próximo diretor

Quando José Graziano da Silva foi eleito diretor geral da FAO, em junho de 2011, a prioridade da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação era a erradicação da fome e da pobreza rual no mundo. Depois de dois mandatos consecutivos, ele deixa ao seu sucessor outros desafios: combater a desnutrição e a obesidade mundial, priorizando a agricultura sustentável e evitando o desperdício.

A fome no mundo voltou ao nível de dez anos atrás. Mais de 821 milhões de pessoas sofrem com isso, enquanto é produzida comida suficiente para alimentá-las. São vários fatores que causam a fome no mundo, entre eles as guerras e a mudança climática já é sentida pelos agricultores. Os ciclos vegetativos encurtaram e inundações e secas são mais comuns.

Além da fome, 2 bilhões de pessoas sofrem a carência de vitaminas e nutrientes. Por outro lado, 1,9 bilhão de pessoas vivem com excesso de peso ou obesidade, ou seja, o numero de obesos é mais que o dobro do que os famintos. Esta situação é preocupante porque a população continua a aumentar e é preciso produzir mais e melhor para alimentá-la, enquanto em muitas áreas a qualidade da água e do solo é degradada.

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