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ONG revela 300 locais de execuções públicas na Coreia do Norte

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Fotos dos refugiados norte-coreanos ajudados pelas associações de Direitos Humanos. REUTERS/Josh Smith

As execuções públicas e as condenações arbitrárias continuam sendo aplicadas na Coreia do Norte, segundo revelações de uma ONG sul-coreana. A entidade divulgou um relatório no qual denuncia a existência de 300 locais de execuções e valas secretas para sepultamento dos condenados.


Frédéric Ojardias, correspondente da RFI em Seul

As informações são fruto de uma longa investigação da ONG Grupo de trabalho sobre a justiça de transição. A organização entrevistou mais de 600 refugiados norte-coreanos e descobriu a existência de 318 locais de execução pública no país, além de 25 terrenos usados para sepultar os cadáveres.

Segundo o relatório, as execuções seriam realizadas quase sempre com armas de fogo, muitas vezes diante centenas de pessoas, obrigadas a assistir a aplicação das penas de morte. “Quando presenciei minha primeira execução eu tinha apenas oito anos de idade”, se lembra Oh Se-hyek, um dos refugiados ouvidos pela ONG. Segundo ele, em algumas regiões do país os chefes dos vilarejos recrutavam os moradores para assistirem as aplicações de pena. “Eles iam nas escolas e os professores levavam seus alunos para ver as execuções”, relata.

De acordo com o refugiado, essas execuções acontecem frequentemente em províncias na divisa com a China, onde muitos norte-coreanos tentam atravessar a fronteira ilegalmente. “As autoridades exterminam pessoas nas escolas ou em estádios, como uma mensagem enviada aos demais para não tentem fugir. Há até casos de pessoas enforcadas em feiras livres. O governo usa as execuções para intimidar seu povo”, continua Oh Se-hyek.

Executados por assistirem televisão

A organização que elaborou o relatório espera que esse trabalho ajude a punir os responsáveis no futuro, além de facilitar uma eventual transição democrática na Coreia do Norte. “O objetivo mais importante é enviar um sinal forte aos dirigentes norte-coreanos, pressionando para que eles mudem sua política”, explica Lee Young-hwan, fundador e diretor da ONG.

“Kim Jong-un e seus subordinados serão um dia julgados graças a esse tipo de trabalho de documentação”, acredita. Segundo ele, esse bando de dados também é importante para as famílias das vítimas, para que elas possam encontrar os corpos de seus parentes. Afinal, eles também têm direito a um enterro de verdade”.  

Lee Young-hwan critica a posição dos Estados Unidos e da própria Coreia do Sul que, segundo ele, concentram as negociações com Pyongyang apenas em torno da questão nuclear, ignorando quase sempre o delicado tema dos Direitos Humanos.

A pena de morte na Coreia do Norte é aplicada em casos de assassinato, roubo ou corrupção, mas também para atividades consideradas “antirrevolucionárias”, como, por exemplo, o fato de assistir um canal de televisão sul-coreano.