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Conferência de Bahrein: palestinos acusam Trump de tentar suborná-los com plano de paz

Em meio à tensão entre Estados Unidos e Irã, dois eventos no Oriente Médio, atraem a atenção mundial nesta terça-feira (25). No primeiro, em Bahrein, os Estados Unidos apresentam a parte econmica de seu plano de paz para a região, mas sem a presença dos palestinos, que boicotam o encontro. Manifestações contra a proposta americana foram convocadas para hoje na Cisjodânia e na Faixa de Gaza. O segundo evento acontece em Israel e é a sequência da reunião histórica iniciada nessa segunda-feira (24) entre americanos, russos e israelenses.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

Os olhos do mundo estão realmente voltados para o Oriente Médio nesta terça-feira. Primeiramente, por causa de um encontro único marcado em Manama, capital do Bahrein, para o lançamento da parte econômica de um novo plano de paz entre israelenses e palestinos, patrocinado pelos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, prometeu, desde que tomou posse, lançar o que chamou de “Acordo do Século” para terminar definitivamente com o conflito entre israelenses e palestinos.

Após dois anos de muita antecipação e preparativos, realizados pelo conselheiro e genro de Trump, Jared Kushner, o plano será lançado hoje em um workshop denominado “Paz para a Prosperidade”, com a presença de representantes de 39 países, incluindo Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Marrocos e Emirados Árabes Unidos.

Mas trata-se de uma espécie de “casamento” sem a presença do noivo ou da noiva. Isso porque os palestinos decidiram boicotar a reunião e os israelenses acabaram não sendo convidados.

Parte econômica do acordo

Só a parte econômica do “Acordo do Século” será lançada. As questões políticas, mais espinhosas, não estão previstas. O plano prevê o investimento de US$ 50 bilhões em 179 projetos de infraestrutura, educação, comércio e turismo na Cisjordânia, na Faixa de Gaza, na Jordânia, no Egito e no Líbano.

Os palestinos alegam que o governo Donald Trump tenta “suborná-los” prometendo financiamentos milionários para que abram mão de suas aspirações nacionais.

Expectativas

Não há muita expectativa de que o encontro dê frutos. Países como Egito e Jordânia decidiram até mesmo enviar autoridades de menor escalão, sinal de que não acreditam no sucesso da iniciativa. Uma série de manifestações, em alguns países da região, demonstram que há muita rejeição ao plano americano por parte da população.

Os americanos esperavam, com o encontro, plantar uma semente para uma “normalização” do relacionamento entre os países árabes do Oriente Médio e Israel. A ideia era que o mundo árabe passasse a pressionar os palestinos a fazer concessões a Israel, diminuindo o escopo de suas exigências para assinar um acordo de paz.

Atualmente, no entanto, o consenso entre os paises árabes é o de que primeiro Israel tem que, primeiro, resolver o conflito com os palestinos para, depois, ser aceito pelo mundo árabe, e não o contrário.

Os palestinos exigem a criação de um Estado independente em toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como capital e o retorno de milhões de refugiados palestinos para Israel.

O atual governo israelense é totalmente contrário a esses termos. Se já admitiu no passado a criação de um Estado palestino, o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é contrário a essa ideia. Alguns de seus partidários mais à extrema-direita pregam, até mesmo, anexar a Cisjordânia.

Apesar de tudo isso, a imprensa israelense comemora que, pelo menos, puderam viajar pela primeira vez para Bahrein, país que não mantém relações diplomáticas com Israel.

Objetivo geopolítico

Os Estados Unidos não escondem a intenção de selar uma espécie de coalizão entre seus aliados no Oriente Médio contra o Irã. Os americanos têm como parceiros na região países árabes, de um lado, e Israel, de outro.

Sauditas, por exemplo, se preocupam mais com a ameaça nuclear do Irã do que Washington. O mesmo se pode dizer de Israel. Não faltam informações – confirmadas ou veladas – de que israelenses e sauditas já colaboram há algum tempo por debaixo dos panos, apesar de não manterem relacionamento diplomático oficial.

O mesmo aconteceria entre Israel e os Emirados Árabes. Em outubro do ano passado, Netanyahu foi até recebido em Oman, algo inédito. Outros membros do governo estiveram recentemente em Abu Dhabi e Dubai.

Para os americanos, uma aliança forte entre seus aliados seria importante neste momento de tensão aberta com o inimigo comum: o Irã. Nesse sentido, a “normalização” no relacionamento entre o mundo árabe e Israel seria um passo importante para Washington, mesmo que não saia do encontro em Bahrain nada de concreto em relação aos palestinos.

Reunião histórica entre israelenses, russos e americanos

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, se reuniram nesta segunda-feira com o presidente do Conselho de Segurança de Israel, Meir Ben-Shabat para discutir questões regionais.

A conferência tripla, em Jerusalém, continua hoje com a presença do primeiro-ministro Netanyahu, que classificou o evento de “histórico e sem precedentes”, dizendo que ele é “importante para garantir estabilidade no Oriente Médio nesses tempos turbulentos”.

Não é todo dia que russos e americanos sentam-se para conversar sobre questões do Oriente Médio, palco da Guerra Fria entre as duas potências, no passado. Israel, que mantém bom relacionamento com os dois lados, parece ter se tornado uma espécie de mediador.

O tema principal da reunião é o avanço da influência do Irã na Síria. Os russos têm grande influência sobre o regime do presidente sírio, Bashar Assad. Americanos e israelenses pretendem discutir como essa influência pode manter o Irã, principal aliado de Assad, longe das fronteiras de Israel, diminuindo o poder de Teerã sobre partes da Síria e o Sul do Líbano.

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