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Enriquecimento de urânio pelo Irã é "estratégia arriscada"

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Destaque na imprensa francesa desta segunda-feira (08) para a decisão do Irã de romper com o acordo sobre seu programa nuclear, assinado em 2015. REUTERS/Leonhard Foeger/File Photo

A imprensa francesa desta segunda-feira (8) está preocupada com a decisão do Irã de romper com o acordo sobre seu programa nuclear, assinado em 2015, e abandonado unilateralmente pelos Estados Unidos no ano passado. Irã força Europa a salvar acordo nuclear, escrevem vários jornais, mas essa é uma “estratégia arriscada”, acredita Libération.


Les Echos informa que Teerã começou a enriquecer urânio a um nível proibido pelo pacto de 2015 no domingo (7) e ameaçou, ao mesmo tempo, desrespeitar outros termos do acordo em 60 dias. O anúncio fez a tensão sobre o dossiê iraniano aumentar ainda mais, apesar do país ter voltado a enriquecer o produto a um nível muito inferior ao necessário para produzir a bomba atômica.

O Ira enriquece agora urânio a mais que 3,75%, oficialmente para alimentar suas centrais elétricas, o nível exato não é conhecido, mas para desenvolver a arma nuclear é necessário 90%, escreve o jornal econômico.

A decisão de Donald Trump de restabelecer as sanções contra a República Islâmica ao abandonar unilateralmente o pacto, assinado após 12 anos de crise entre Teerã e a comunidade internacional, mergulhou o Irã em uma grave crise econômica.

“Paciência estratégica”

Depois de uma "paciência estratégica" o país lançou em oito de maio um ultimato a seus parceiros para que ajudassem a contornar o bloqueio americano principalmente sobre a venda de petróleo iraniano. O prazo passou, nada foi feito, e o Irã ameaça agora desrespeitar a cada 60 dias novos termos do acordo se os outros signatários do texto, China, França, Grã-Bretanha, Russa e Alemanha não o protegeram das sanções americanas, detalha Les Echos.

O presidente francês Emmanuel Macron dialoga com o iraniano Hassam Rohani e os dois líderes estipularam até 15 de julho para "explorar as condições para a retomada do diálogo", aponta Les Echos.

“O Irã está forçando a Europa a salvar o acordo sobre seu programa nuclear, avalia em sua manchete de capa Le Figaro. Os dirigentes iranianos garantem que suas decisões, que eles chamam de "graduadas e simbólicas", serão imediatamente reversíveis se as sanções americanas forem suspensas.

“Bola no campo europeu”

“A bola está agora no campo europeu, mas as chances de um compromisso são pequenas diante da intransigência do presidente americano Donald Trump”, acredita Le Figaro. A incógnita do dia é saber qual será a posição de Trump nessa nova queda de braço.

A grande urgência é conter o perigo nuclear iraniano, salienta em seu editorial o jornal conservador que pede um novo acordo "bem negociado".

Sempre irônico, Libération indica que o "Irã enriqueceu sua ameaça". O jornal progressista também avalia que Teerã tenta, assim, aumentar a pressão sobre os outros signatários do acordo, mas avalia que os europeus "são impotentes para limitar os efeitos das sanções americanas". Segundo Libération, “a estratégia do Irã é arriscada”. No domingo, Berlim e Londres pediram que Teerã volte atrás em sua decisão.

No dia 10 de julho a Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reúne extraordinariamente no próximo dia 10 de julho, a pedido dos Estados Unidos, para avaliar a situação.