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Uso de antirretrovirais reduz em um terço mortes por Aids desde 2010

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O tratamento com antirretrovirais, quando adotado corretamente, reduz a carga viral no organismo e diminui o risco de transmissão do HIV. TANG CHHIN Sothy / AFP

O número de vítimas da Aids diminuiu no mundo graças a um maior número de portadores do vírus HIV que utilizam o tratamento com antirretrovirais. Segundo relatório anual da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), divulgado nesta terça-feira (16), 770.000 pessoas morreram de doenças relacionadas ao HIV em 2018, cerca de 30 mil a menos que em 2017. O Brasil registrou, no entanto, um aumento de 21% de novos casos da doença.


Mais de três a cada cinco soropositivos recenseados no mundo seguem o tratamento com antirretrovirais, o que representa 23,3 milhões de pessoas. Esta proporção é inédita e cerca de dez vezes maior do que nos anos 2000. Quando adotada corretamente, essa terapia reduz a transmissão do vírus HIV. De acordo com o estudo da Unaids, o número de novas infecções pelo HIV permaneceu estável em relação aos anos precedentes: foram 1,7 milhão de novas contaminações no mundo em 2018.

Esses números globais escondem, no entanto, fortes disparidades regionais. O notável declínio no número de mortes e melhor acesso ao tratamento pode ser explicado pelo progresso significativo feito no sul e leste da África, o continente historicamente mais afetado pela Aids. Essas duas regiões africanas concentram a metade da população mundial afetada pelo vírus.

Brasil vai na contramão da tendência mundial

Em outras partes do mundo, alguns indicadores são preocupantes. O Brasil, por exemplo, vai na direção oposta da média mundial e registrou, entre 2010 e 2018, um aumento de 21% no número de novos casos de Aids (contra queda de 16% na média mundial). A progressão no Brasil ainda fez com que a América Latina registrasse, em média, um crescimento de 7% de novos casos de Aids na região no intervalo de oito anos.

Países menores da região tiveram queda acentuada de novos casos, como em El Salvador (-48%), Nicaragua (-29%), Colômbia (-22%) ou Equador (-12%). Apenas Chile e Bolívia tiveram resultados mais preocupantes que o Brasil na América Latina e, ainda assim, por uma margem mínima.

Na Europa de Leste e na Ásia Central, o número de novas infecções aumentou 29% desde 2010, e o número de mortes provocadas pela doença cresceu 5%. No Oriente Médio e norte da África, as mortes relacionadas à doença aumentaram 9% nos últimos oito anos.

Recuo do financiamento para prevenção

A Unaids está preocupada com a queda no financiamento dos programas de prevenção. Em 2018, US$ 19 bilhões foram gastos em programas de combate à doença implementados em países de baixa e média renda. A quantia representa US$ 1 bilhão a menos do que em 2017 e US$ 7 bilhões a menos do que o montante considerado necessário para 2020 (US$ 26,2 bilhões).

A Unaids considera que a luta contra a Aids não está progredindo em ritmo suficiente. A redução dos investimentos na guerra contra a doença é vista como um fracasso coletivo. Todas as fontes de financiamento recuaram, sejam as contribuições internacionais dos Estados, os recursos que cada país empenha ou as doações do setor privado.

Diante desse quadro, a conferência destinada ao financiamento do Fundo Mundial contra a Aids, prevista para 10 de outubro em Lyon, na França, é considerada fundamental pelos atores do setor. A ONU pretende arrecadar US$ 14 bilhões para o período 2020-2022, com o objetivo de alimentar o Fundo, criado em parceria com Estados, organizações da sociedade civil, contribuintes privados e doentes. Os principais doadores são Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha e Japão.

Todos esses obstáculos comprometem a meta fixada pela ONU para 2020: ter 90% dos portadores do HIV diagnosticados, sob tratamento com antirretrovirais e, por consequência, com uma carga viral indetectável no sangue. Em 2018, a proporção dessas três metas no universo de pessoas contaminadas era de 79%, 78% e 86%.