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Índia Caxemira Hinduísmo Religião Peregrinação

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Na Índia, hindus percorrem a peregrinação de Amarnath, uma das mais perigosas do mundo

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Todos os anos, peregrinos visitam a Caverna de Amarnath, na Caxemira, onde uma estalagmite representaria o deus Shiva. REUTERS/Mukesh Gupta

A Índia é palco atualmente da peregrinação hindu do Amarnath, uma das mais perigosas do mundo, que acontece na região da Caxemira. Todo verão, centenas de milhares de peregrinos se reúnem em uma caverna, em frente a uma estalagmite, que representaria o deus Shiva. O rito exige uma imensa organização, principalmente em termos de segurança, em função da região, de maioria muçulmana disputada pelo Paquistão, estar sempre sob forte tensão.


Antoine Guinard, correspondente RFI em Nova Deli

Ao todo, 200 mil peregrinos já chegaram à Caverna de Amarnath, desde terça-feira (16), local sagrado para os hindus e destino final da peregrinação. No entanto, o Amarat Yatra, nome dado a esta peregrinação na Índia, já soma 16 mortos desde seu início. As mortes foram causadas por paradas cardíacas e por agravamento de problemas de saúde. Entre os mortos, estão dois membros das forças de segurança, que são acionadas todos os anos, para supervisionar os peregrinos.

A Caverna de Amarnath se encontra a 4 mil metros de altura nas montanhas do Himalaia, e a maioria dos peregrinos está longe do preparo físico de alpinistas. Com isso, o percurso, que pode ser de 14 ou 36 km, dependendo da escolha do peregrino, certamente não está ao alcance de todos. Em 1996, más condições climáticas levaram à morte 242 peregrinos.

A caverna de Amarnath é um popular destino dos peregrinos porque, de acordo com a tradição hindu, o deus Shiva teria revelado no local o segredo da imortalidade a sua esposa Parvati. A lenda motivou a crença de que aqueles que peregrinam até o local obterão a “mokshya” ou a imortalidade.

Região hostil do norte da Índia

A peregrinação de Amarnath acontece em uma área particularmente sensível, o que justifica que importantes medidas de segurança sejam tomadas a cada ano. A caminhada foi interrompida, por exemplo, no último dia 8, após um toque de recolher de militantes separatistas para marcar o terceiro aniversário da morte de um jovem combatente, baleado em um tiroteio com o exército, em 2016.

A Caxemira é uma região predominantemente muçulmana, sob o domínio do separatismo, onde grupos jihadistas frequentemente têm como alvo peregrinos hindus que viajam para Amarnath. No início dos anos 1990, a peregrinação foi proibida por causa da conflagração da luta armada pela independência na Caxemira. No ano 2000 e também em 2017, ataques terroristas mataram dezenas de peregrinos, o que confirma uma situação de constante ameaça.

Local recebe centenas de milhares de peregrinos durante um mês e meio

A peregrinação é uma importante fonte de renda sazonal para a população local, muito empobrecida, incluindo a atividade de carregadores que ajudam os peregrinos durante a marcha. Por outro lado, o deslocamento dos peregrinos pelo território também causa problemas para os habitantes locais, que já vivem em uma das regiões mais militarizadas do mundo.

A indústria do turismo demonstrou sua insatisfação com as restrições ao uso de veículos este ano, o que faz parte das medidas de segurança durante a peregrinação, mas que também reduzem significativamente a atividade turística. A ex-chefe do governo da Caxemira também denunciou os danos causados à população local pela interdição do uso de estradas durante a passagem dos peregrinos.