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Hong Kong Manifestações China

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Em Hong Kong, manifestantes continuam nas ruas durante o fim de semana e anunciam greve geral

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Manifestantes protestam contra Pequim em Mongkok, Hong Kong, 3 de agosto de 2019. REUTERS/Tyrone Siu

O movimento de protesto em Hong Kong organizou uma grande manifestação neste sábado (3), ignorando as advertências da China, em uma crise cada vez mais aguda no território semi-autônomo.


Pequim e as autoridades locais elevaram o tom durante a semana com a detenção de dezenas de pessoas. E o exército chinês anunciou que estava disposto a reprimir distúrbios em caso de necessidade.

Mas os manifestantes não recuaram e prometeram novos protestos para o fim de semana e os próximos dias.

Neste sábado, milhares de manifestantes saíram às ruas em Mongkok, subúrbio densamente povoado e que já foi cenário de confrontos entre a polícia e os ativistas. Em um primeiro momento, a polícia proibiu a passeata na zona, mas acabou autorizando a marcha.

Duas manifestações estão previstas para domingo, uma na ilha de Hong Kong e outra no setor de Tseung Kwan O. Para segunda-feira foi convocada uma greve geral na cidade, assim como protestos em sete localidades.

Neste sábado também aconteceu uma passeata de apoio ao governo, com milhares de participantes, muitos deles exibindo bandeiras da China.

Aumento da repressão

A ex-colônia britânica, que enfrenta a pior crise desde a sua devolução para a China em 1997, registra oito fins de semana consecutivos de grandes mobilizações, seguidas em muitos casos por confrontos entre pequenos grupos radicais e as forças de segurança.

A crise explodiu há dois meses, com a oposição a um projeto de lei em Hong Kong - atualmente suspenso - que permitiria extradições para a China. Mas o movimento se transformou em uma campanha de denúncia contra a redução das liberdades na megalópole e para exigir reformas democráticas.

Em virtude do princípio "um país, dois sistemas" pelo qual o Reino Unido cedeu Hong Kong a China, a cidade goza de liberdades desconhecidas no restante do país, ao menos até 2047. Mas cada vez mais os moradores de Hong Kong temem que Pequim viole o acordo.

Muitos mencionam a detenção na China de livreiros de Hong Kong, a perseguição de políticos famosos e a detenção de líderes do movimento pró-democracia.

Nos protestos, as forças de segurança utilizam de forma recorrente balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Os manifestantes respondem e jogam objetos contra os agentes.

As agressões a manifestantes no fim de julho por parte de supostos membros das chamadas tríades - grupos criminosos de origem chinesa que operam na China e em Hong Kong - deixaram 45 feridos e aumentaram ainda mais a tensão.

Na quinta-feira, as autoridades anunciaram a detenção de sete homens e uma mulher acusados de posse de explosivos.

A repressão aumenta no território. Esta semana, 44 manifestantes foram acusados por participação nos distúrbios, um crime que pode ser punido com até 10 anos de prisão.

As autoridades advertiram que os funcionários públicos, que protestaram na sexta-feira em uma iniciativa inédita para um setor conhecido por seu conservadorismo e discrição, correm o risco de demissão.

A chefe do Executivo, Carrie Lam, que suspendeu o polêmico projeto de lei, tem feito poucas aparições públicas. Os manifestantes exigem sua renúncia e uma investigação independente sobre a estratégia policial, assim como anistia para as pessoas detidas pelos protestos, a retirada total do projeto de lei e o direito de escolher seus dirigentes.

(Com informações da AFP)