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Putin quer 'diálogo sério' sobre desarmamento para 'evitar caos'

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O presidente russo Vladimir Putin durante o Fórum Econômico em São Petersburgo. Sputnik/Aleksey Nikolskyi/Kremlin via REUTERS

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu, nesta segunda-feira (5), um "diálogo sério" para "evitar o caos", após o fim do tratado de desarmamento nuclear INF, e advertiu que a Rússia se verá "obrigada" a desenvolver novos mísseis, se Washington seguir por esse caminho.


Na sexta-feira (2), após seis meses de tentativas frustradas de diálogo, os Estados Unidos e a Rússia reconheceram o fim do Tratado de Armas Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês) concluído durante a Guerra Fria e se responsabilizaram mutuamente pela morte deste emblemático texto bilateral.

Putin presidiu uma reunião de seu Conselho de Segurança e, fato raro, divulgou uma declaração publicada pelo Kremlin. "Para evitar o caos, onde não há qualquer regra, limite, ou lei, devemos refletir novamente sobre todas as consequências perigosas possíveis e ter um diálogo sério, sem ambiguidades", afirmou o presidente russo no comunicado.

"A Rússia considera necessário retomar por completo e sem demora as conversas para garantir a estabilidade estratégica e a segurança. Nós estamos dispostos", acrescentou Putin. O presidente advertiu contra uma "corrida armamentista ilimitada", se Washington se lançar à produção de mísseis proibidos pelo Tratado INF.

Já na sexta-feira (29), apenas algumas horas após o fim do tratado, os Estados Unidos anunciaram o desenvolvimento de novos mísseis convencionais. "A Rússia se verá obrigada" a fabricar armas similares, ressaltou Putin, ordenando aos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, assim como aos serviços de Inteligência, que acompanhem "atentamente" as iniciativas de Washington a este respeito. O objetivo, ressalta Putin, é garantir que as iniciativas de Moscou tenham "exclusivamente um caráter de reciprocidade".

Os norte-americanos afirmam que Moscou aumentou suas capacidades de maneira incompatível com as bases do tratado INF, que se refere a mísseis com alcance de 500 a 5.500 quilômetros. Nos anos 1980, o tratado permitiu a eliminação dos mísseis russos SS20 e dos norte-americanos Pershing, no centro da crise dos euromísseis.

"Riscos para todos"

"Os fatos são claros. A Federação da Rússia produz e mobiliza uma capacidade ofensiva que era proibida pelo tratado INF", afirmou na sexta-feira o secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper.

"Agora que nos retiramos, o Departamento da Defesa continuará plenamente com o desenvolvimento destes mísseis convencionais para lançamento terra-ar, como uma resposta prudente às ações da Rússia", declarou Esper. A saída dos EUA foi formalizada pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, que estava em Bangcoc para reuniões regionais.

A Rússia rebateu, acusando Washington de ter "cometido um grave erro" e de ter criado "uma crise praticamente insuperável". Moscou voltou a propor "uma moratória sobre o envio de armas de alcance intermediário", o que foi rejeitado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

(Com informações da AFP)