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Índia Paquistão Caxemira Conflito

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Modi alega que decisão de revogar autonomia da Caxemira é “pioneira”

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Primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, discursa na comemoração da independência do país, em Nova Délhi (15/08/2019). REUTERS/Adnan Abidi

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu nesta quinta-feira (15) sua controversa decisão de revogar a autonomia constitucional de parte da Caxemira controlada pela Índia. Em discurso pronunciado na festa que celebra a independência do país, Modi afirmou ter sido “pioneiro” com a revogação.


Desde o dia 4 de agosto, Jammu e Caxemira foi completamente isolada, com cortes nas comunicações e restrições à circulação dos cidadãos impostas pelo governo indiano. O premiê declarou que "ideias novas" são necessárias depois de sete décadas de fracassos políticos nesta região do Himalaia, povoada por muçulmanos. O território também é reivindicado pelo Paquistão e foi o motivo de duas guerras entre os dois países.

Combate à corrupção

Não acreditamos estar criando problemas ou perpetuando-os. Em cada casa do Parlamento, a medida teve aprovação de dois terços dos parlamentares”, explicou. O projeto de lei também dividiu Jammu e Caxemira em dois, separando a parte oriental, Ladakh, de maioria budista. A parte restante, de maioria hindu e muçulmana, perdeu o estatuto de Estado federativo e agora é apenas “território da União” – o que significa que ficará sob o controle direto de Nova Délhi e praticamente não terá mais autonomia administrativa.

“Jammu e Caxemira e Ladakh serão uma grande fonte de inspiração para a viagem da Índia rumo ao crescimento, o progresso e a paz”, acrescentou Modi. “As antigas definições [sobre a região] encorajavam a corrupção e o nepotismo, assim como as injustiças quanto aos direitos das mulheres, das crianças, dos dalits [a casta mais baixa dos hindus], das comunidades tribais”, alegou.

Paquistão muda de tom

Na quarta-feira (14), o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, afirmou que vai responder a qualquer agressão por parte da Índia em seu lado da Caxemira. "O Exército paquistanês tem informações sólidas de que pretende fazer algo na parte paquistanesa da Caxemira", afirmou o premiê, em um discurso em Muzaffarabad, a capital desse território. "Decidimos que, se a Índia cometer uma violação, vamos lutar até o fim. Chegou a hora de lhes dar uma lição", disse ainda.

A mudança de tom é clara do lado paquistanês. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Shah Mehmood Qureshi, declarou que seu país não contemplava a opção militar. "Examinamos as opções políticas, diplomáticas e legais", afirmou então.

Na quarta passada, porém, Islambad anunciou a expulsão do embaixador indiano no Paquistão e convocou seu representante diplomático em Nova Délhi para consultas. O governo paquistanês também suspendeu o comércio bilateral, uma medida mais simbólica, considerando-se os limitados vínculos comerciais entre ambos.

Os dois países disputam a Caxemira desde sua divisão em 1947, ao final da colonização britânica. Após a decisão da revogação constitucional do território, o governo de Nova Délhi mobilizou dezenas de milhares de soldados adicionais, por temer manifestações em massa em um território onde uma insurreição separatista deixou 70 mil mortos desde 1989.

Com informações da AFP