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Hong Kong Manifestação Protestos

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Conheça 10 táticas urbanas usadas nos protestos de Hong Kong

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Manifestantes em Hong Kong se protegem com escudos feitos por placas de sinalização urbanas, cartazes com mensagens, e até skates,em 28 de julho de 2019. Anthony WALLACE / AFP

Eles misturam táticas coordenadas a materiais rudimentares como bastões de laser, cartazes e guarda-chuvas, e já colecionam admiradores nos quatro cantos do planeta. Não é para menos: sem líderes nem porta-vozes, os manifestantes pró-democracia de Hong Kong protestam com a diligência de um grande formigueiro humano, surpreendendo até o impressionante poderio bélico chinês. Veja aqui alguns dos curiosos estratagemas, entre tecnologias 2.0 e técnicas rudimentares de enfrentamento militar, que os jovens cidadãos de Hong Kong estão usando durante os protestos, que vêm recebendo forte repressão da polícia pró-Pequim.


"Os jovens não têm medo de morrer. Por que teríamos receio de perder nossa reputação, nosso dinheiro, ou de declarar falência?", diz Lee, um lojista de Hong Kong que decidiu vender materiais de proteção com 90% de desconto para estudantes, nesta sexta-feira (16), antes deste final de semana decisivo de protestos, que deve definir posições estratégicas no jogo de xadrez militar da China. O Exército chinês estacionou suas tropas na cidade vizinha de Shenzhen na quinta-feira (15), numa maneira de pressionar os manifestantes pró-democracia de Hong Kong.

Mas nas lojas de equipamentos de proteção, os estoques de máscaras anti-gás, capacetes, óculos e lanternas de laser estão totalmente liquidados, informa nesta sexta-feira (16) a agência AFP. Não é para menos, capacetes e máscaras são vendidos às centenas por hora. Cerca de 1 milhão de manifestantes são esperados no grande protesto pró-democracia do domingo (18), além de várias ações em locais turísticos no sábado (17). Conheça agora algumas das táticas utilizadas pelos jovens ativistas de Hong Kong, que vêm movimentando redes sociais de protestos na França, que congregam diversos grupos de "coletes amarelos".

1 - Informação e comunicação: "Spread the news", a alma do negócio

Lojas de equipamentos de proteção "efêmeras" aparecem e desaparecem num piscar de olhos em redes e aplicativos como Facebook e Telegram, para despistar a repressão policial e não deixar rastros. Nas estações de metrô, como os cartões digitais são nominativos e rastreáveis, os manifestantes deixam tickets e dinheiro para quem não tiver condições financeiras para se deslocar. Como num jogo de gato e rato, policiais e manifestantes ultraconectados sabem bem que as ferramentas 2.0 são essenciais nas manifestações do século 21.

Post-its deixados pelos manifestantes com mensagens e informações formam a "Lennon Wall", em distrito de Hong Kong. REUTERS/James Pomfret To match Special Report

De post-its coloridos artesanais com mensagens de incentivo e denúncias a smartphones de última geração, os manifestantes de Hong Kong parecem ter entendido direitinho aquela máxima do Chacrinha (1917-1988): "Quem não se comunica se trumbica". Brincadeiras à parte, eles levam bem à sério toda a parte de comunicação e propaganda de sua mobilização. Não é à toa que dezenas deles se rendem semanalmente ao aeroporto de Hong Kong para "elucidar turistas e cidadãos" sobre as causas que defendem, os temas que lhes são caros, e o porquê de estarem se mobilizando. "Hong Kong não é a China", dizia um dos centenas de cartazes mostrados aos turistas que desembarcam na megalópole financeira. Os ativistas conversam individualmente com os passageiros que desejam mais informações e esclarecimentos, inclusive chineses. O resultado: mais credibilidade junto à população, e mesmo junto à opinião de estrangeiros.

2 - Listas de telefones à mão

Telefones para ajuda imediata aos manifestantes de Hong Kong. Reprodução Facebook/Rennes DTR

Para ajudar no caso de repressão policial mais severa, os manifestantes de Hong Kong decidiram criar carimbos com telefones de urgência de associações anti-repressão e de advogados voluntários para deixarem marcados nos braços e pernas dos ativistas durante os protestos. Visual, prático e salva-vidas.

3 - A solidariedade entre estranhos

Manifestantes em Hong Kong usam gaze sobre um dos olhos, em referência aos colegas feridos nos olhos pela polícia. REUTERS/Thomas Peter

Nos hospitais ou nas ruas, médicos utilizam uma fita preta como um broche no uniforme, em homenagem aos manifestantes feridos de Hong Kong. Dezenas de profissionais da saúde decidiram deixar os corredores dos hospitais para se juntar aos chamados street doctors, que atendem os ativistas com primeiros socorros após intoxicações por gás ou outros ferimentos. Mas, mais do que isso, a população de Hong Kong surpreende por seus símbolos de solidariedade: pessoas de todas as idades usaram um falso tapa-olho feito com gaze médica e tinta vermelha para homenagear manifestantes feridos nos olhos pela repressão, durante um protesto contra a violência policial no aeroporto internacional de Hong Kong, em 12 de agosto. Durante os protestos, é comum ver grupos correrem para dar assistências a pessoas feridas durante as manifestações.

4 - Novas funções para o mobiliário urbano

O mobiliário urbano de Hong Kong ganha novas funções nas mãos dos manifestantes: sinalizações de ruam servem para abafar efeito de bombas de gás lacrimogêneo. REUTERS/Thomas Peter

O século 21 inaugura uma nova era de protestos e manifestantes e, junto com ela, toda uma nova cenografia urbana. Sinalizadores de rua são sistematicamente usados em Hong Kong para abafar os efeitos de bombas de gás lacrimogêneo, assim como tampas metálicas de lata de lixo. Os participantes dos protestos reagem rapidamente antes que o artefato exploda, para evitar os efeitos do gás. Diversas imagens mostram jovens que lançam de volta à polícia os cartuchos metálicos cheios de fumaça, utilizando luvas especiais. Gradis e placas são colados com fitas adesivas de alta retenção e cadeados. Placas viram escudos ao lado de guarda-chuvas, nas barragens humanas.

5 - Plataformas de streaming, Reddit, AirDrop, Uber, Pokemon Go e Tinder: as novas tecnologias do protesto

Além das ferramentas usuais de mensagens, como o Telegraph ou plataformas de streaming como o Twitch, os manifestantes de Hong Kong agora utilizam até o jogo Pokémon Go ou o aplicativo de encontros Tinder para marcar encontros entre eles, conforme relatado pelo site AbacusNews. Além das redes sociais e do LIHKG, o equivalente em Hong Kong do Reddit, os manifestantes também vem usando o serviço Apple AirDrop para lançar suas convocações para manifestações. Isso permite que eles se comuniquem com os turistas chineses que vivem no continente. Numa China censurada pelo "Grande Firewall", o Grande Muro tecnológico das autoridades chinesas, os novidades e gadgets são muito apreciados pelos participantes dos protestos.

6 - Resiliência e contra-ataque artesanal

Estilingues gigantes são construídos com elásticos para mandar projéteis e pedras contra a polícia. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Muito comum em vários protestos, um estilingue gigante, apoiado por três manifestantes, lança pedras e projéteis contra a polícia.

7 - O escudo de guarda-chuvas e outros clássicos dos protestos em Hong Kong