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Hong Kong Violência Protestos Greve estudantes

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Estudantes fazem greve geral em Hong Kong depois de fim de semana violento

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Protesto no Parque Tamar em frente aos edifícios do governo em Hong Kong, em 2 de setembro de 2019. REUTERS/Kai Pfaffenbach

Os estudantes que manifestam pela democracia em Hong Kong convocaram uma greve geral nesta segunda-feira (2) e terça-feira (3). Pela manhã, eles formaram correntes humanas diante de diversos estabelecimentos. As manifestações prejudicaram o tráfego de trens e metrôs na ex-colônia britânica, depois de um fim de semana marcado pela violência.


Os manifestantes bloquearam as portas dos vagões do metrô, o que impediu a saída e provocou muitos atrasos na rede. Os protestos, entretanto, tiveram um impacto menor perto do caos registrado no dia 5 de agosto, quando as ações de bloqueio paralisaram os transportes durante várias horas.

Alunos do ensino médio também formaram uma corrente humana na entrada de várias escolas públicas, antes do início das aulas. Alguns deles usavam máscaras antigás, capacetes e carregavam garrafas de água, o kit básico dos manifestantes nos últimos meses.

As autoridades da cidade permitiram duas novas manifestações, ao mesmo tempo que diversos movimentos de oposição convocaram uma greve geral. As universidades deveriam retomar as atividades nesta segunda-feira, após as férias de verão, mas os estudantes, a linha de frente das manifestações contra o governo, convocaram um boicote às aulas por duas semanas.

O movimento de contestação, que nasceu em junho com a rejeição a um projeto de lei para autorizar extradições à China, ampliou consideravelmente as reivindicações: agora inclui denúncias de retrocesso das liberdades e sobre a crescente interferência da China nesta região semiautônoma, o que viola o princípio "um país, dois sistemas". Hong Kong vive há três meses sua maior crise política desde a devolução pelo Reino Unido, em 1997.

Sábado é marcado por violência

Hong Kong teve no sábado uma das jornadas de protestos mais violentas desde o início do movimento. No domingo, milhares de manifestantes pró-democracia tentaram bloquear os acessos ao aeroporto com barricadas.

Muitos manifestantes seguiram depois para Tung Chung, por donde passa a única avenida que segue até o aeroporto. Eles utilizaram mangueiras para inundar a estação de metrô da localidade e queimaram uma bandeira da China, o que pode provocar a indignação de Pequim.

Muitos passageiros bloqueados pelos protestos foram obrigados a completar a pé a viagem até o aeroporto, onde 16 voos foram cancelados. O governo local proibiu os protestos no aeroporto, depois que manifestações nos terminais em agosto provocaram cenas de caos e o cancelamento de centenas de voos. Os ativistas, no entanto, ignoram as restrições de movimento impostas pelas autoridades.

O protesto no aeroporto aconteceu depois de um sábado marcado por atos de violência em diversos bairros. Um vídeo exibido por uma emissora local mostra policiais avançando contra a multidão e agredindo diversas pessoas em um vagão de trem. Um homem grita de joelhos e tenta proteger uma amiga, enquanto é atingido por gás de pimenta.

A Anistia Internacional criticou a "horrível" ação policial no trem e pediu uma investigação. Em uma estação, 40 pessoas foram detidas. A polícia indicou que deu dois tiros de advertência no sábado depois que um grupo de "manifestantes violentos tentou inclusive roubar as armas de agentes".

Os hospitais atenderam 31 feridos, cinco deles em estado grave. A imagem de praça financeira estável que Hong Kong tinha até recentemente foi abalada pelos protestos. O número de turistas desabou, enquanto hotéis e estabelecimentos comerciais precisam enfrentar uma importante queda do faturamento.

(Com informações da AFP)