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Chefe de governo de Hong Kong alerta para ingerência dos EUA em crise interna

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A chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, em coletiva de imprensa em Hong Kong, China, nesta terça-feira, 10 de Setembro de 2019. REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, criticou nesta terça-feira (10) a ingerência dos Estados Unidos na crise que sacode o território há três meses. No último domingo, militantes pró-democracia se concentraram diante da embaixada americana em Hong Kong para pedir o apoio de Washington.


"É extremamente inapropriado um país interferir nos problemas internos de Hong Kong", afirmou Carrie Lam em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira. Irritada, a líder disse esperar que os manifestantes não voltem a apelar aos Estados Unidos.

No protesto de domingo, os militantes propuseram que Washington adote um projeto de lei em prol do movimento pró-democracia de Hong Kong. A medida poderia interferir nas relações comerciais privilegiadas entre os Estados Unidos e o território, alertou a chefe do executivo.

Apoio ao movimento

Membros da classe política americana, tanto democratas quanto republicanos, vêm expressando seu apoio aos manifestantes. Já o presidente Donald Trump adotou uma posição mais pragmática, fazendo um apelo por uma solução pacífica, mas lembrando que o gerenciamento da crise estava a cargo da China. Washington também rejeitou as alegações de Pequim sobre o apoio aos manifestantes.

Além dos Estados Unidos, a Alemanha também é criticada pelo governo chinês. Pequim expressou sua oposição nesta terça-feira no encontro entre um dos líderes da Revolução dos Guarda-Chuvas, Joshua Wong, e o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, em um evento organizado em Berlim, na segunda-feira (9), promovido pelo jornal Bild.

"Algumas mídias e políticos alemães tentam ganhar popularidade e atrair a atenção junto a separatistas anti-China. Fazer um show político é um método extremamente errôneo", afirmou uma porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying. Para Pequim, a atitude da Alemanha "é desrespeitosa em relação à soberania da China e uma ingerência em seus problemas internos".

Julgamento de militante que mordeu dedo de policial

O julgamento de um manifestante que teria arrancado a mordidas parte do dedo de um policial durante um protesto em julho começa nesta terça-feira. Segundo a mídia chinesa, o universitário To Kai-wa, de 22 anos, foi preso depois de entrar em conflito com as forças de segurança.

A polícia de Hong Kong é extremamente criticada pelo uso de violência contra os militantes. Por isso, uma das exigências do movimento é a abertura de um inquérito sobre o excesso de força para reprimir os atos.

Na última quarta-feira (4), Carrie Lam surpreendeu ao retirar o impopular projeto de lei que permitia extradições para a China. O texto foi o gatilho para os protestos iniciados em junho. No entanto, os militantes prometem continuar ocupando as ruas enquanto o restante de suas demandas não forem cumpridas, entre elas, a renúncia da chefe de governo.