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Impasse em Israel pode levar à terceira eleição em menos de um ano

Uma semana depois das eleições parlamentares em Israel, ainda não há um claro vencedor. O impasse é tão grave que existe a possibilidade de que o país volte as urnas pela terceira vez em menos de um ano. A primeira votação foi em 9 de abril e a segunda, em 17 de setembro. Um terceiro pleito poderia ser convocado para o começo de 2020.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

Ontem, terça-feira (24), os dois líderes que receberam mais votos se reuniram – a pedido do presidente do país, Reuven Rivlin – para tentar se entender e criar um governo de união nacional. Isso resolveria a crise através de uma rotatividade de liderança: cada lado indicaria o primeiro-ministro por dois anos para formar um mandato estável de quatro anos.

Mas esses dois líderes – o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido de centro-direita Likud; e o opositor Benny Gantz, da lista de centro-esquerda Azul e Branco – não chegaram a um acordo.

O aperto de mão entre os dois, no começo do encontro, demonstrou o desconforto mútuo. A conversa durou uma hora e foi dramática. Os dois saíram sem falar com a imprensa. Mas, pouco depois, Netanyahu afirmou estar comprometido com partidos de direita para formar um governo, não com o Azul e Branco.

Novo pleito pode beneficiar Netanyahu

Em seguida, Gantz afirmou que Netanyahu não quer encontrar uma verdadeira solução porque desejaria, na verdade, que houvesse novas eleições. O primeiro-ministro está envolvido e casos de corrupção e pode ser indiciado pela Promotoria Pública em poucas semanas. Caso houvesse uma nova convocação de pleito, ele talvez pudesse adiar os procedimentos jurídicos.

Fora isso, Netanyahu, após dez anos de poder consecutivos e ter sido considerado quase como um “gênio político”, não quer demonstrar fraqueza e ver seus dias como primeiro-ministro terminarem com ele dividindo o poder. Para ele, um governo de rotatividade com Benny Gantz seria realmente uma humilhação.

O motivo desse imbróglio é o maior impasse político desde a criação de Israel, em 1948. O país está, mais do que nunca, dividido entre dois blocos: o de direita e o de esquerda – mesmo que essas denominações nem sempre definam exatamente os partidos envolvidos. E, no meio, como fiel da balança, está um único partido que prometeu a seus eleitores não se unir a nenhum desses blocos.

O resultado é que Netanyahu tem, a seu favor, apenas 55 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Ele precisaria de, no mínimo, 61 cadeiras para formar um governo. Por outro lado, Benny Gantz acumula 54 parlamentares a seu favor. Ele também não pode formar um governo.

Ultranacionalista pode resolver impasse

O fiel da balança é o ex-ministro da Defesa e ex-chanceler Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Nossa Casa, que obteve oito cadeiras no Knesset. Mas Lieberman brigou seriamente com Netanyahu e prometeu que não entraria em uma coalizão com o Likud caso Netanyahu continue sendo o líder do partido.

Por outro lado, Lieberman também prometeu que não entraria em uma coalização com partidos da minoria árabe-israelense. Nesse caso, não se uniria a um governo de Benny Gantz, que tem apoio da Lista Árabe Unida, com 13 cadeiras.

Eis o impasse que todos tentam desatar, agora. A solução mais levantada é a formação de um governo de união nacional entre o Likud e o Azul e Branco. É isso que o presidente Rivlin quer e que os eleitores do país parecem querer ao terem votado em massa principalmente nos dois maiores partidos. O Azul e Branco recebeu 33 cadeiras e o Likud, 31.

O problema é que tanto Gantz quanto Netanyahu fizeram promessas a seu eleitorado que agora teriam que infringir para aceitar esse tipo de governo. Como Lieberman, Gantz prometeu que não se associaria a Netanyahu por causa do indiciamento iminente – mesmo deixando claro que não teria problema em se associar ao Likud sob outra liderança.

E Netanyahu se comprometeu a formar um governo que inclua necessariamente três outros partidos: dois religiosos (o Shas, que obteve nove cadeiras, e o Judaísmo da Torá, com oito) e um de extrema-direita (Yemina, com sete assentos).

A pergunta agora é quem vai piscar primeiro. Quem vai decepcionar seus eleitores primeiro. Na imprensa israelense, especialistas em Teoria dos Jogos são entrevistados para tentar resolver o impasse. O professor Eyal Winter, da Universidade Hebraica de Jerusalém, comparou a situação com o jogo de “galinha”: quando duas pessoas se enfrentam e esperam que a outra desista antes dela.

O problema é que, nesse jogo, os dois jogadores podem perder.

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