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Síria faz ameaças e exige retirada das tropas dos EUA e da Turquia

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O chefe da diplomacia síria, Walid al-Moualem, discursa na 74ª Assembleia-geral da ONU. REUTERS/Brendan McDermid

O ministro das Relações Exteriores da Síria advertiu neste sábado (28) a Assembleia-geral das Nações Unidas que o regime de Damasco não pretende mais aceitar "a presença militar estrangeira" no país.


Da correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten

O chanceler Walid al-Mualem explicou que, para o governo sírio, a permanência de tropas dos Estados Unidos e da Turquia no norte do país são ilegais, e "as forças de ocupação" terão que deixar a Síria imediatamente. Caso contrário, o regime do presidente Bashar al-Assad, que recuperou quase o controle completo do país, terá o direito de retaliar, enfatizou o ministro.

O discurso do chanceler sírio não acrescenta nada de novo à narrativa que vem sendo repetida na ONU. O regime de Damasco, apoiado pela Rússia durante oito anos de guerra civil, sabe que pode contar com o presidente russo, Vladimir Putin, por tempo indeterminado, sem dar trégua a opositores e jihadistas.

O pronunciamento do representante sírio contrasta, no entanto, com o discurso realizado alguns minutos antes, na mesma tribuna, pelo representante do Vaticano. O cardeal Pietro Parolin implorou à comunidade internacional para "acabar com o sofrimento de tantas pessoas" na Síria.

Na semana passada, a Alemanha, o Kuwait e a Bélgica pediram ao Conselho de Segurança que votasse um um cessar-fogo imediato na província disputada de Idlib. Mas a Rússia, apoiada pela China, vetou a solicitação. Este foi o 13º bloqueio a uma resolução sobre a Síria desde o início do conflito.

Rússia afirma ter abatido cerca de 60 drones na Síria em 2019

O exército russo afirmou ter destruído desde o início do ano cerca de 60 drones enviados pelos insurgentes à Síria contra sua base militar em Hmeimim, localizada perto de territórios que ainda estão sob o controle de jihadistas e rebeldes.

Segundo o general Igor Konachenkov, as forças russas interceptaram 58 veículos aéreos não tripulados e 27 mísseis daquela base na área de Latakia, o coração do regime de Bashar al-Assad, no noroeste do país. A maioria dos ataques veio das cidades de Khan Sheikhun e Latamné, ambas recuperadas em agosto pelo exército sírio, que afirma ter descoberto fábricas de drones em grandes complexos subterrâneos.

Drones também são lançados de outras partes da província de Idlib, a última fortaleza dos rebeldes e jihadistas na Síria, que é objeto de um frágil acordo entre a Rússia e a Turquia para evitar uma ofensiva em larga escala do regime.

Desencadeada em 2011 com a repressão das manifestações de pró-democracia, a guerra na Síria causou mais de 370.000 mortes, segundo um levantamento subestimado da ONU.

* Com agências internacionais