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Postura instável de Trump no norte da Síria ameaça futuro de curdos e pode fortalecer grupo EI

Pressionado internamente, Donald Trump mudou o discurso um dia depois de começar a abrir caminho para uma ofensiva da Turquia na região. A frágil postura da Casa Branca agora gera incertezas sobre o futuro dos curdos e do território sírio, há oito anos em guerra.

 

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

Apesar de aliados, fazia três anos que Estados Unidos e Turquia vinham discordando sobre a presença de tropas americanas no norte da Síria. Com a mudança brusca na postura da Casa Branca, as tropas americanas começaram a deixar dois postos do norte da Síria: Tel Abyad e Ein Eissa. Diante da reação negativa, inclusive dos próprios republicanos, os Estados Unidos devem manter grande parte da tropa, retirar somente o necessário para garantir sua própria segurança e liberar espaço para o avanço do Exército turco ao país vizinho.

Ataque turco sem aviso prévio

O presidente turco, Tayyip Erdogan, afirmou que as Forças Armadas estão prontas para agir a qualquer momento e sem nenhum aviso prévio. Ele e Donald Trump se falaram no domingo por telefone e foi a partir dessa conversa que a Casa Branca anunciou que não permaneceria mais nessa área. No telefonema, o presidente turco reforçou seu plano de iniciar a ofensiva e a frustração pelos americanos não colorarem em prática acordos firmados entre os dois países, como a criação de uma zona segura de 480 km ao longo da fronteira e 30 kmpara dentro do território, na margem leste do rio Eufrates. Segundo o governo de Ancara, essa área tem dois objetivos: abrigar parte dos refugiados sírios, hoje em solo turco, e também limpar terroristas da fronteira, referindo-se aos curdos sírios, até então, apoiados pelo exército de Washington.

EUA abandonam aliados curdos

As forças curdas da Síria afirmam que perderam onze mil soldados na guerra contra o grupo Estado Islâmico na coalizão com os americanos. Ao deixar o território, os Estados Unidos sinalizam não só romperam a aliança, como também abandonaram as Forças Democráticas Sírias. Pelo menos, esse é o sentimento que os curdos sírios expressaram oficialmente.

Em comunicado, a Casa Branca declarou, inicialmente, que não vai apoiar nem se envolver na operação conduzida pela Turquia. Mas, diante das críticas, Donald Trump ameaçou, na segunda-feira (7) destruir a economia turca caso a Turquia passe dos limites. Mais cedo, em rede social, o presidente americano chegou a escrever que é muito caro manter o suporte aos aliados em dinheiro e equipamentos: “É hora de sairmos dessas ridículas guerras sem-fim, muitas delas, tribais, e trazer nossos soldados para casa. Nós vamos lutar onde for para nosso próprio benefício e lutar para ganhar”.

Em dezembro passado, ele ordenou uma completa retirada dos Estados Unidos da Síria, o que gerou o pedido de demissão do secretário de Defesa americano e também do enviado especial da presidência para a coalizão. Trump logo mudou de opinião na época ao ser orientado pelo Pentágono, diplomacia e serviços de inteligência. Desta vez, analistas acreditam que, não só o presidente americano se vê pressionado pela indicação real da Turquia de lançar ataques – uma vez que até os secretários de Defesa dos dois países se encontraram semana passada para tentar minimizar a tensão. Mas também para amenizar os riscos na sua já falha política externa, depois do fracasso com Afeganistão e Irã.

Enfraquecimento dos curdos e fortalecimento do terror

A ONU afirma estar preparada para o pior na região. A principal consequência da saída americana e do avanço turco no norte da Síria é a incerteza sobre o futuro dos curdos sírios.

A Turquia considera terroristas os grupos armados curdos e já deixou claro que quer desmantelar o corredor formado pelo PKK, o grupo armado curdo que atua em território turco. Uma incursão do Exército de Ancara no território controlado por curdos do país vizinho agora também pode significar uma ofensiva contra esse povo apesar do governo turco afirmar que não está em busca de nenhum ganho territorial.

Mas as Forças Democráticas Sírias, o grupo armado curdo que opera por lá, já convocou todos a defender sua terra natal da agressão turca. E pode ter de se aliar ao regime de Bachar el-Assad para sobreviver. Outra preocupação dos analistas internacionais é com o fortalecimento do ISIS. As forças curdas mantêm dez mil integrantes do grupo Estado Islâmico presos, sendo dois mil deles estrangeiros. França, Alemanha e outros europeus negaram, até o momento, os pedidos americanos para que repatriassem prisioneiros.

A partir de agora, será papel do governo de Ancara resolver também o que fazer com esses terroristas capturados numa guerra que, só para a Turquia, já gerou três milhões e meio de refugiados.

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